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sexta-feira, 10 de julho de 2015

Essa vida paulistana

Acho que essa é minha nova periodicidade de postagem. Semestral ou anual. Quem acha ruim já parou de me seguir.


E a vida é isso. Transformar, renovar, redescobrir, refazer, criar e recriar.

Algumas descobertas da minha vida recente:

  • Tempo e distância não afastam amigos, apenas ajudam a selecionar os que valem a pena;
  • Ninguém tem o direito de tirar sua felicidade. Esse direito é somente seu, pessoal e intransferível;
  • Mimimi e se fazer de vítima não levam a lugar algum e só atraem coisas ruins;
  • Não sou obrigada a nada. Nem a coisas de que gosto;
  • Evitar a fadiga costuma ser um bom lema. Bem como hakuna matata;
  • Esperar ser feliz é a mesma coisa que nada. Vá ser feliz ou vá à merda;
  • Tudo bem odiar coentro.


sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Falando bem dos outros

Estou postando de São Paulo, onde vivo ainda improvisadamente, até segunda ordem.

Mudar de casa já é cansativo. Mudar para outro estado, com uma gata, é mais ainda. Mas correu tudo bem até o momento.


Vou aproveitar o meu espaço aqui para ir um pouco contra a corrente. A gente só vê gente reclamando de serviços por aí, mas raramente elogiando.

Ainda não recebi a mudança aqui em São Paulo, mas até agora eu só tenho coisas boas para dizer sobre a Granero. Desde o primeiro contato para fazer orçamento até a coleta da mudança os funcionários foram muito profissionais, além de muito simpáticos. (Bom, a gerente da loja Aracaju foi pessoalmente até minha casa para poder me fazer um orçamento mais preciso. Nem tenho o que falar, né?) A empresa superou minhas expectativas. Sempre que precisei falar por telefone, eu consegui. Sempre que eu enviei email eu recebi pronta resposta. Eles foram bastante flexíveis nas minhas mudanças loucas de ideia e mudaram quantidade de objetos, data, seguro, tudo prontamente e sem burocracia. Também não consegui fazer o pagamento no dia combinado e foi tranquilo fazer depois. A mudança estava agendada para as 8h30 da manhã e os meninos chegaram às 8h29, no dia certo. O empacotamento foi feito de maneira rápida, mas com muito cuidado (quatro pessoas para embalar! Mal cabia no apartamento!) e me fizeram conferir cada cômodo duas vezes para ter certeza de que nada havia ficado para trás. Sim, ela é mais cara, mas compensa, viu? Não tive dor de cabeça nenhuma e só tenho pontos positivos para mencionar.

Agora eu me pergunto. Por que é que as pessoas (eu, inclusive) não fazem também o maior alarde quando têm uma experiência positiva?

Eu não sou de fazer muita propaganda gratuita, mas acho que quando um serviço é bem-feito, não custa nada divulgar. Sou mais isso do que postar lata de Coca-cola com o meu nome.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O cavalheirismo não morreu

Sabe que ontem eu saí com um grupo de amigos e, na hora de sentar, um deles puxou uma cadeira bem perto de onde eu estava. Eu, logicamente, dei a volta na mesa para sentar em outra cadeira. Ele, com toda a sua fineza, gritou:

"Aonde você vai, sua japa louca? Puxei aqui para você, cacete!"

Quem disse que o cavalheirismo morreu?



quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Anedotas Aracajuanas - Parte II

A empresa de mudança não entendeu nada do meu pedido de orçamento:

Representante da Empresa: - Boa tarde, senhora Patrícia. Estou ligando para solucionar algumas dúvidas com relação ao seu pedido de orçamento. Como assim "orçar empacotamento e mudança de meio apartamento e mais um carro"?

Eu: - Bem, as coisas que irão na mudança estão em dois cômodos e meio, sendo um banheiro, um quarto e meio quarto de casal. E mais um carro. Aí eu queria saber se posso jogar as coisas que vou levar todas no mesmo quarto para facilitar para vocês.

R: - Certo.

Eu: - Me separei.

R: - Mais uma? 

Eu: - É a tendência.

R: - É. Eu aderi há pouco tempo também.

E aí rolou o maior papo e viramos melhores amigas para sempre. Amanhã ela virá pessoalmente fazer uma visita para avaliar melhor o tamanho da minha mudança e fazer um orçamento certinho.

Vou deixar feito um café quentinho.

domingo, 14 de setembro de 2014

Wind of change


Já tem alguns dias que chove sem parar. Não dá ânimo para sair de casa. Já cansei de assistir seriados, de ler, de limpar a casa, de não fazer nada. Mas uma das coisas que acho mais mágicas no universo é que a única constância que temos é a temporariedade de tudo. Até da chuva. Na chuva não mando eu, mas na minha vida sim. Tomei algumas decisões pequenas, mas importantes, e coloquei minha vida em movimento de novo.




E não é que o sol voltou a brilhar? Está um dia lindo hoje.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Eu tenho medo do mesmo


Tem gente que tem medo de mudança. Eu tenho medo do mesmo.

Não é que eu não consigo me adaptar a rotinas. Até consigo. É a estagnação que me dá desespero. Preciso estar em movimento, em equilíbrio dinâmico, como dizem os físicos.

Água parada dá dengue.

Socorro.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Descomplicando

Às vezes precisamos descomplicar a vida. 

Desde que me mudei para o Nordeste, há um ano e meio, que eu vinha ouvindo promessas do dito cujo de passar um final de semana em Maceió. Um final de semana. Em Maceió. Maceió está a quatro horas de Aracaju. Um hostel lá custa 35 reais a diária. Não me parece ser a coisa mais difícil do mundo, mas essa foi apenas uma dentre tantas promessas muito difíceis de cumprir.

Agora que é um ex-dito cujo, ficou bem mais descomplicado.

Eu fui até a rodoviária, comprei a passagem para daqui a pouco, voltei para casa, postei isso aqui no blog, vou fazer a mala e até a volta.

sábado, 23 de agosto de 2014

Vidro de azeitona

O primeiro problema pós-separação é definitivamente o vidro de azeitona.

"Amo-or, abre pra miiiiiim?"

E seu super-heroi particular vinha para salvá-la desta hecatombe privada. 

Não estou falando daquelas vezes todas em que você fingiu não conseguir abrir só para o seu homem se sentir útil. Não. Estou falando daquela vez em que você machucou todos os dedos, depois tentou abrir com o pano de prato, tentou tirar a pressão com a faca, quase se automutilou no processo e, dentro do vidro, você via as malditas azeitonas, cheias de sarcasmo.

E aí bate aquela coisa dentro do peito. Aquela angústia de não se saber capaz de seguir em frente. De ter que tomar novos caminhos, diferentes daqueles outros tão familiares. De abrir mão das azeitonas.

Mas aí você se lembra de que pode comprar azeitonas a granel. Ou até mesmo aquelas em embalagens plásticas (que são até mais baratas). E tudo fica bem.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Investimento

E então eu desisti de investir em terra. Resolvi investir em tapete voador.

Quando investimos em terra, alguém pode vir e fazer um buraco. Ou te tomam a terra, assim, sem mais.

Mas tapete voador não. Você não precisa de chão para voar.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Ano novo, vida nova

Como já é de praxe, ano ímpar é ano de mudança radical! Desta vez antecipei um pouquinho e a mudança radical veio em dezembro do ano par. Mas tá valendo!

Ainda não estou muito bem localizada nesta cidade planejada e pequena. Acho que preciso me perder um pouco mais, sei lá. Ainda não tenho carro aqui e andar de carona não me ensina muita coisa.

Estou ainda em busca de emprego, mas já consegui algumas entrevistas e as perspectivas são boas. 

Quanto ao clima, o calor não é tão insuportável quanto em São Paulo, pois venta bastante. Achei que precisaria de ar condicionado no apartamento, mas descobri que passo menos calor aqui do que passava em São Paulo. Aqui também não tem tempestades de verão. Chove pouco e rápido. À noite é sempre fresquinho e, como não chove, dá para largar janelas abertas o dia e a noite toda.

As pessoas são muito dispostas a ajudar e são bem hospitaleiras. Eu me sinto um pouco alienígena, já que não tem muito oriental por estas bandas e as pessoas me olham MESMO. Principalmente crianças. Acho que, se não me pedirem para ensinar o Gangnan Style já está bom. hahaha (Em todo caso, vou aprender).

O dinheiro rende mais por aqui. Primeiro porque moradia e serviços são bem mais baratos. Um aluguel aqui é menos da metade de um aluguel em São Paulo, lavar o carro é metade. E, segundo que não tem onde gastar. Tem a praia, que é grátis, e tem dois shoppings (que ficam apinhados de gente no final de semana). Rolou recentemente um boicote aos shoppings, pois começaram a cobrar o estacionamento. R$ 1,00 por hora. Mas as pessoas não se mantiveram fiéis ao boicote e parece-me que ele só durou alguns dias.

Aqui a hora de almoço tem duas horas, pois as pessoas vão para casa comer. Só quem trabalha MUITO longe (tipo, 6 ou 7 km) come na rua. =) E pensar que essa distância em São Paulo ainda está na categoria "morar perto do trabalho".

Mas, ó, vou dizer que já estou morrendo de saudade da Paulicéia. Das pessoas, principalmente. Logo logo começo a trabalhar e aí vai dar para sentir melhor o que é morar na terra do caranguejo. Até lá, continuo meio alien.


quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Câmbio e desligo


Computador indo para a mala. A próxima postagem será na casa nova! =)


Até mais, São Paulo! Até mais, amigos! Vou para outras praias tentar uma vida diferente!

E, se tudo der errado, volto com histórias para contar e um bronzeado fabuloso. =)

Bom fim de mundo a todos!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Âncoras

Com data marcada para zarpar e São Paulo expirando no prazo de validade, estou pensando no peso das minhas âncoras. Quantas delas são minhas de verdade? Quantas são da minha sociedade? Quantas são da minha família?

Somos este composto de coisas, lugares, pessoas e ideias.

E estava pensando que a mais paulistana das minhas coisas é esse medo absurdo de viver uma vida diferente. 

Paulistano vive reclamando da correria, do trânsito, do aluguel, da espera no restaurante, do chefe que liga às 19h34 do domingo exigindo aquele relatório, do estacionamento do shopping e da internet que nunca tem a velocidade pela qual você pagou. Mas acorda todo dia em cima da hora, enfia uma torrada goela abaixo enquanto entra no carro para pegar a Marginal, chega ao trabalho uma hora e meia depois, já estressadíssimo, mas cedo o suficiente para ganhar pontos com o chefe, enrola trinta minutos no Facebook, trabalha até o segurança avisar que vai fechar o prédio (se o prédio tiver esse privilégio) para ganhar pontos com o chefe, entra no carro, fica revoltado porque pega trânsito às 22h00, come alguma porcaria, acessa o e-mail e responde os que conseguir até umas duas horas da manhã (e fica todo orgulhoso ao saber que o chefe vai ver o horário de envio), desmaia de gravata no sofá mesmo enquanto tenta assistir algum seriado da moda para ter assunto com as poucas pessoas com quem conversa no café da empresa e logo começa tudo de novo. No seu momento de lazer, assim como todos os outros paulistanos, ele se enfia no carro com a sua família e vai para o shopping comprar tudo o que julga necessário para preencher o seu vazio, e acha normal esperar três horas para comer no restaurante que os colegas recomendaram. Tudo bem. Enquanto espera dá tempo de responder aqueles e-mails do trabalho e ler aquelas piadas no Facebook para smartphone. E a ordem de tudo está mantida.

Ao longo da minha não tão longa vida, descobri que eu não sou workaholic. Muita gente se espanta quando digo que prefiro trabalhar pouco e ganhar pouco a trabalhar muito e ganhar muito.

Preciso ter tempo livre para o meu ócio criativo. Para quem não sabe, além de escrever as bobagens aqui, eu também pinto, desenho, leio muito, danço e canto. Cultivo minhas amizades, saio bastante para comer fora, caminhar pela cidade, discutir coisas novas, testar jeitos diferentes de olhar o mundo, seja na companhia de outros, seja sozinha. Um tempo de solidão também é muito importante para mim. Preciso disso. Revejo meus conceitos sobre tudo de tempos em tempos e mantenho alguns e mudo outros.

Acho que a maior parte das pessoas é engolida pela vida e usa isso como desculpa para não pensar nela. E o pior é que são bem-sucedidas nisso e passam a vida como zumbis, sem ter conquistado nada além de bobagens materiais.

Não me isento disso não. Também vivo como zumbi a maior parte do tempo. Afinal, as contas chegam e tenho que pagar a fatura do cartão com todos os supérfluos que comprei no shopping para me sentir menos vazia. Mas eu luto contra isso, sabe? Minha saída de São Paulo é uma tentativa de uma vida diferente, com menos correria. Quem sabe eu não consigo achar minha missão ali? Quem sabe eu não consigo responder àquelas perguntas todas que me incomodam desde sempre? Quem sabe?

Eu não sei. Nunca sabemos. Mas acho que devemos ouvir as palavras dos mais velhos. Uma pessoa que respeito muito me disse essa semana: "Quando se é jovem como você, a vida é muito séria. Vocês levam tudo muito a sério. A vida é simples. Você anda para frente e, se tropeçar, levanta. Não leve tudo tão a sério. Viva mais e tenha menos medo. Quando estamos relaxados e descontraídos, além de cair menos, dói menos quando acontece. Se estamos tensos e inflexíveis, caímos mais e nos machucamos mais."

E esta me parece ser uma boa verdade.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Sonhos

"Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor." Johann Goethe (1749-1832)


Sou uma pessoa que morre todos os dias se não tiver um sonho e se não viver esse sonho. Eu tenho que seguir em frente até o sonho acabar. Se não é para frente, é para baixo. O meu lado escuro me envolve, me engole, me digere e eu morro.

Sonhos podem virar pesadelos. Mas aí eu arrumo outro sonho para perseguir. Sem sonho, eu morro.

Isso que sou não me basta. Essa carreira que tenho não é suficiente.  Essa vida que levo não me faz feliz. Tenho dúvidas se a cidade que me acolheu no nascimento e na minha vida até o momento ainda me cabe.

Lá vou eu para outra reviravolta na minha jornada.

Quando me separei e me vi só, pensei que seria o início de uma vida de independência. Sonhava em ter meu apartamento, em decorá-lo com cores vivas, ter um espaço para os meus livros e minhas gatas, pendurar minha rede cearense na varanda e ser capaz de dizer que não precisava de ninguém. E me vi com um salário ridículo, voltando a morar com os meus pais, a carreira estagnada e com um monte de sonhos destroçados.

Pensei que não tinha forças para me refazer. Morria de inveja das pessoas que conseguiam recomeçar. E não me dei conta de que toda a minha apatia derivava de um só componente: eu não sonhei com convicção. Meu sonho era fraco. Era supérfluo. Meu sonho nem era sonho de verdade.

Lutei sim. Persisti sim. Minha carreira encontrou um espaço onde eu conseguia pagar as minhas contas e isso me realizou por um tempo. Só que aí subi em um balão e olhei para mim mesma lá de cima. E vi que estava depositando o que achava que eram sonhos em um emprego. E essa não sou eu.

E as caixas da mudança ainda estão fechadas. Desde a minha separação, há 3 anos, que tenho caixas e caixas fechadas entulhando a casa dos meus pais. O que tem lá dentro? Nem eu sei.

Agora tenho um novo sonho. Ele vai me custar dinheiro, carreira, amigos, família e cidade natal. E é grande. Se é.

E vou ter que abrir aquelas caixas. Para fazer novas caixas, com novos sonhos. E, dentro de uma delas, vai a rede que comprei no Ceará.

Por enquanto, só tirei as telas e as tintas. E estou indo pintar um novo caminho. 


domingo, 25 de novembro de 2012

Medo


Já se perguntou o quanto já deixou de fazer por medo?


Receio é uma coisa. Olhar bem para os dois lados antes de atravessar a rua é receio. E isso precisamos ter. Deixar de cruzar a rua por medo é viver para sempre no mesmo quarteirão.

E o mundo é grande.

Chega de fazer historinhas trágicas na cabeça. Caiu, levanta. É assim. Tchau, medo. Estou indo fazer a minha história, porque sou eu quem manda nessa porra.

domingo, 4 de novembro de 2012

Esmola a um mendigo

Ninguém pode oferecer o que não tem. Às vezes esperamos coisas, gestos, atitudes de outros, mas acho que precisamos enfiar na cabeça que as pessoas possuem limitações. Tem gente que não tem dinheiro, tem gente que não tem coração e tem gente que não tem cérebro. E eu não quero pertencer à última categoria. Então chega de pedir esmola a mendigos.

sábado, 3 de novembro de 2012

Porque, assim,

foi tudo tão rápido que nem deu tempo de processar uma coisa e já veio outra. Mas minha vida é assim mesmo. Não luto contra isso. Se não dá para ser uma coisa de cada vez, que seja tudo ao mesmo tempo. Multitasking é o nome que deram para isso, não é?

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Reviravolta




E assim é. Uma hora o mundo está de pé, outra hora de cabeça para baixo.

Quando a gente menos espera, vem o mundo e te derruba. E aí vem alguém e te coloca de pé de novo. Mas aí você tropeça na escada e fica de cabeça para baixo de novo. E aí se levanta e por aí vai.

Acho que está na hora de começar a apreciar montanhas-russas com "looping", pois já precisei de  muitos saquinhos de vômito nessa vida.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Marcas

Às vezes me acontece isso de escrever um monte e deletar antes de postar. Fico levemente frustrada, mas depois penso que foi melhor assim. Nada que eu vá postar quando estou brava, chateada ou irritada pode ser bom.

A vantagem do blog ou do Facebook é que temos este tempo de escrever, despejar tudo ali, ler, reler e pensar antes de clicar no botão.

Seria ótimo se pudéssemos fazer isso na vida fora do computador também. 

Todas as nossas ações deixam marcas. Há um provérbio que diz que devemos escrever as coisas ruins na areia e as coisas boas em mármore. É. Devemos. Às vezes não conseguimos. Seja na areia, seja no mármore, deixamos marcas por aí. Algumas se apagam como pegadas na areia. Outras são sobrepostas como quando você se cansa daquela tatuagem que você fez aos dezesseis anos e já está toda feia e verde. Mas outras ficam e viram cicatrizes. Outras nunca cicatrizam.

Se perdoar é deixar que a cicatriz não te incomode mais, então que seja. Gostaria de ser mais nobre e tal, mas é bem difícil andar por aí com o abdômen aberto, segurando os intestinos dependurados, o sangue jorrando e dizendo que aquilo não te incomoda. Não sou vingativa, não faço planinhos malignos, mas tem coisa que demora para cicatrizar. E tem que respeitar, porra.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Transformação, ciclos e revoluções

Já devo ter falado sobre isso muitas vezes aqui, mas é tema recorrente. E falando em tema recorrente, vou dividir com vocês algo que elaborei em minha adolescência. =) 

Quando eu tinha uns quinze ou dezesseis anos, elaborei a Teoria da Espirologia. Exceto pelo nome ridículo, ainda hoje acredito que ela faz muito sentido. =) Como não é algo de profundidade relevante, acredito ser possível ser breve e concisa:

Introdução à Espirologia


Pensemos a linha do tempo como sendo de fato uma linha. Os eventos se sucedem, um após o outro, enquanto caminhamos (ou corremos, ou tropeçamos) por esta linha. Isso, a meu ver, é senso comum, na pior de suas conotações.

Como filósofa brilhante que eu era aos quinze anos, observei que na natureza os eventos não ocorrem em linhas em sua maioria, mas em ciclos. O dia e a noite são reflexos de um movimento de rotação de nosso planeta. Os anos são a formalização de uma revolução da Terra girando ao redor do Sol. Ainda que se pense a vida como uma linha, em nossa morte voltaremos ao solo como substâncias necessárias para a geração de novas vidas.

Comecei a observar o desenrolar de minha própria vida. Os acontecimentos iam e vinham em ciclos. Alguns mais curtos, outros mais longos. No entanto, quando o evento voltava, eu já não era a mesma pessoa. =) Assim, o círculo nunca se fecha. A vida caminha em espiral. Não em círculos e não em linhas. 

Às vezes pensamos que as oportunidades vão embora e não voltam nunca mais. Algumas são assim. O ciclo é maior do que a sua vida, só isso. Mas, em geral, elas voltam. E, se tudo der certo, elas vão te encontrar em um ponto diferente da espiral, porque você mudou, você evoluiu, você continuou andando para frente e não em círculos. E talvez você perceba que aquilo não era tão importante assim... Ou era, e vai ter outra oportunidade de agarrar aquilo.


Bom, toda essa divagação foi para falar de evolução.

Porque a vida caminha em espiral, evolução pessoal é uma grande questão para mim. E, vira e mexe, ela volta.

Como todo mundo, a gente sempre acha que as nossas questões são as questões humanas e universais. Mas não. A cada dia descubro que esta é uma questão minha e que muita gente não está nem aí. Fica patinando no lugar, andando em círculos. E é por isso que elas não tiveram o insight da espirologia na adolescência. Eu ficava pensando que as pessoas não tinham o insight porque não pensavam sobre isso, mas hoje vejo que podia ser por andar em círculos mesmo.

Para mim, é importante ter autoconhecimento. É importante ser uma pessoa melhor, mais equilibrada, mais evoluída, mais capaz de se adaptar às situações. Luto por isso todos os dias da minha vida e só dá para fazer isso de um jeito, a meu ver: sendo conservadora e aberta ao novo. Ao mesmo tempo.

Você elabora as suas experiências, pega o que ficou de bom, joga fora o que não lhe serve. Ao longo do tempo, suas convicções do que pode ser bom se consolidam e elas se tornam os seus valores. Mas isso não pode nos impedir de olhar o novo, de ouvir uma nova perspectiva, de ampliar horizontes, de considerar mudar o nosso conjunto de valores uma vez que tudo é dinâmico e qualquer radicalismo é burro.

Difícil?

É. Dá trabalho. E dói. Mas o caminho é interessante. E qual a graça de fazer trilhas e caminhos diferentes se só prestamos atenção no chão? Tem tanta coisa ao nosso redor, sabe?