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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Âncoras

Com data marcada para zarpar e São Paulo expirando no prazo de validade, estou pensando no peso das minhas âncoras. Quantas delas são minhas de verdade? Quantas são da minha sociedade? Quantas são da minha família?

Somos este composto de coisas, lugares, pessoas e ideias.

E estava pensando que a mais paulistana das minhas coisas é esse medo absurdo de viver uma vida diferente. 

Paulistano vive reclamando da correria, do trânsito, do aluguel, da espera no restaurante, do chefe que liga às 19h34 do domingo exigindo aquele relatório, do estacionamento do shopping e da internet que nunca tem a velocidade pela qual você pagou. Mas acorda todo dia em cima da hora, enfia uma torrada goela abaixo enquanto entra no carro para pegar a Marginal, chega ao trabalho uma hora e meia depois, já estressadíssimo, mas cedo o suficiente para ganhar pontos com o chefe, enrola trinta minutos no Facebook, trabalha até o segurança avisar que vai fechar o prédio (se o prédio tiver esse privilégio) para ganhar pontos com o chefe, entra no carro, fica revoltado porque pega trânsito às 22h00, come alguma porcaria, acessa o e-mail e responde os que conseguir até umas duas horas da manhã (e fica todo orgulhoso ao saber que o chefe vai ver o horário de envio), desmaia de gravata no sofá mesmo enquanto tenta assistir algum seriado da moda para ter assunto com as poucas pessoas com quem conversa no café da empresa e logo começa tudo de novo. No seu momento de lazer, assim como todos os outros paulistanos, ele se enfia no carro com a sua família e vai para o shopping comprar tudo o que julga necessário para preencher o seu vazio, e acha normal esperar três horas para comer no restaurante que os colegas recomendaram. Tudo bem. Enquanto espera dá tempo de responder aqueles e-mails do trabalho e ler aquelas piadas no Facebook para smartphone. E a ordem de tudo está mantida.

Ao longo da minha não tão longa vida, descobri que eu não sou workaholic. Muita gente se espanta quando digo que prefiro trabalhar pouco e ganhar pouco a trabalhar muito e ganhar muito.

Preciso ter tempo livre para o meu ócio criativo. Para quem não sabe, além de escrever as bobagens aqui, eu também pinto, desenho, leio muito, danço e canto. Cultivo minhas amizades, saio bastante para comer fora, caminhar pela cidade, discutir coisas novas, testar jeitos diferentes de olhar o mundo, seja na companhia de outros, seja sozinha. Um tempo de solidão também é muito importante para mim. Preciso disso. Revejo meus conceitos sobre tudo de tempos em tempos e mantenho alguns e mudo outros.

Acho que a maior parte das pessoas é engolida pela vida e usa isso como desculpa para não pensar nela. E o pior é que são bem-sucedidas nisso e passam a vida como zumbis, sem ter conquistado nada além de bobagens materiais.

Não me isento disso não. Também vivo como zumbi a maior parte do tempo. Afinal, as contas chegam e tenho que pagar a fatura do cartão com todos os supérfluos que comprei no shopping para me sentir menos vazia. Mas eu luto contra isso, sabe? Minha saída de São Paulo é uma tentativa de uma vida diferente, com menos correria. Quem sabe eu não consigo achar minha missão ali? Quem sabe eu não consigo responder àquelas perguntas todas que me incomodam desde sempre? Quem sabe?

Eu não sei. Nunca sabemos. Mas acho que devemos ouvir as palavras dos mais velhos. Uma pessoa que respeito muito me disse essa semana: "Quando se é jovem como você, a vida é muito séria. Vocês levam tudo muito a sério. A vida é simples. Você anda para frente e, se tropeçar, levanta. Não leve tudo tão a sério. Viva mais e tenha menos medo. Quando estamos relaxados e descontraídos, além de cair menos, dói menos quando acontece. Se estamos tensos e inflexíveis, caímos mais e nos machucamos mais."

E esta me parece ser uma boa verdade.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Fifty Shades of Grey: Resenha - SPOILER ALERT

Não me olhem com essa cara, não. Sei que todo mundo está morrendo de curiosidade! Curiosidade, aliás, foi o que me levou a ler este livro. Não li resenhas, não sei do que a mídia falou. Confesso que estou bem fora do mundo midiático. Quando decidi ler o livro eu tinha as seguintes informações: best seller, leitores em sua maioria do sexo feminino, comentários de amigos (homens e mulheres) que variavam de "pesado", passavando por "pornô para cinquentonas" e chegando a "leve demais".

Com tantas dissonâncias, me vi tentada a folhear o tal livro que gerou tanta suposta polêmica.

"Crepúsculo para maiores" 
(ou "Fórmula para um romance de sucesso")

Assim como foi a curiosidade que me levou a ler Crepúsculo, as coincidências não param aí. Será coincidência que os dois se tornaram best sellers?

1) Da personagem feminina:

Tanto em Crepúsculo como em Fifty Shades of Grey, a genialidade do romance está na personagem principal. Isabella Swan e Anastasia Steele são a mesma pessoa: você.

Perceba que nenhuma delas é descrita em detalhes e que todas as suas características são comuns a 99% das mulheres: ser mais desajeitada do que graciosa, ter cabelos que não se comportam como queremos, ter problemas de autoestima e não se sentirem merecedoras de um Edward ou de um Christian... e por aí vai. Conheço poucas mulheres que não se identificariam com estas personagens. Ainda que não neste ponto da vida, em ALGUM ponto você foi Isabella Swan ou Anastasia Steele. Muito provavelmente na adolescência. 

Ficou fácil se identificar, né? Ficou fácil de entender por que o público leitor de ambos é essencialmente feminino, né?

E esses nomes óbvios, hein? Swan quer dizer cisne (lembra do Patinho Feio?). Steele vem de "steel", que quer dizer aço (algo durável e resistente).

2) Da personagem masculina:

Edward Cullen e Christian Grey também são a mesma pessoa. Desejáveis, perfeitos, inacessíveis (exceto que se apaixonaram por você, a desajeitada que não merece o cara), descritos à exaustão e com um defeito intolerável. Um é vampiro, imortal, bebe sangue e, para você ficar com ele e ser feliz para sempre, tem que sucumbir. O outro curte BDSM e é cheio das questões. E, para você ficar com ele e ser feliz para sempre, tem que sucumbir.

Outro nome óbvio aí: Grey, que é cinza. Não é preto nem é branco. É o meio termo que nem ele sabe se consegue ser, mas que Ana Steele quer que seja.

3) Do romance:

Basicamente a história de Crepúsculo e de Fifty Shades of Grey é assim: "conheci o cara perfeito", "o cara perfeito gosta de mim", "eu não mereço que o cara perfeito goste de mim", "o cara perfeito tem um defeito", "eu descobri esse defeito", "de repente até pode ser que eu mereça esse cara que não é mais tão perfeito assim", "eu aceito esse defeito".

Como não li as sequências de Crepúsculo e não pretendo ler as de Fifty Shades of Grey, não sei como isso se desenrola. Parece-me, no final das contas, que existem duas possibilidades: sucumbir ou largar o cara perfeito. Se alguém leu ou viu as continuações, me conta porque eu não vou ler nem assistir.

Agora, sobre os comentários, quem achou "leve" estava esperando mais do BDSM do que da história. É o mesmo que dizer que Edward brilha como fada e achar que esse é o cerne de Crepúsculo. Desculpa. Não é. Tanto Crepúsculo como Fifty Shades of Grey possuem o mesmo objetivo: vender livros para meninas que vão suspirar por Cullen ou Grey: o cara perfeito que tem um defeito inaceitável. Tão Romeu e Julieta quanto o próprio: o velho tema do amor proibido.

Como a maior parte dos best sellers, é um passatempo. Mas não esperemos muita profundidade daí. Tenho, no entanto, que dar mérito a uma qualidade de Fifty Shades: a menção de Tess of the D'Urbervilles, de Thomas Hardy, um dos meus romances favoritos de todos os tempos. Ainda que a menção seja a respeito dos aspectos mais irrelevantes do romance de Hardy, ela existe. Não sei como é a percepção de quem não leu Tess, mas eu gostei das sacadas e das comparações.

Bom, agora que já sei a fórmula do sucesso, vou escrever o meu best seller. Me ajudem a escolher o defeito inaceitável do meu galã:

(   ) canibal
(   ) gay
(   ) PSDBista
(   ) outro. Especificar: _______________


quarta-feira, 11 de abril de 2012

Momento nerd

Fossem outros os tempos eu estaria aqui me desculpando por ter sumido. No entanto, acho que simplesmente minhas postagens estão se tornando mais esparsas. Ou talvez seja porque o meu tempo livre foi consumido por...


NHAM!

Estou comendo esses livros como não comia desde "O Senhor do Anéis" lá na minha adolescência.

Não estou acompanhando a série na TV, mas vi alguns episódios e resolvi comprar os livros. Para nerds de plantão é um prato cheio. Temática épica, narrativa interessante. Por um lado, é até melhor do que Tolkien, pois não há aquele maniqueísmo de elfos bonzinhos contra orcs malvados. Os personagens são bem humanos, com falhas e virtudes. O que mais gostei foi o modo com que o autor narra. Os capítulos são curtos e cada um deles é focado em um personagem. Não chega a ser narrativa em primeira pessoa, mas acaba acontecendo um quase discurso indireto livre - artigo raríssimo, senão inexistente, em best sellers. Fora o monte de cabeças rolando, sangue e morte. Comecei a ler outro dia e já estou no meio do quarto livro. Só não terminei ainda porque o trabalho fica interrompendo minha leitura.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Príncipes, princesas e piriguetes

Essas postagens que estão circulando por aí criticando as piriguetes são tão machistas que me causam asco. Em tempo, essa é a única e última vez que usarei o termo "piriguete".

Quer dizer que um cara pode andar na rua sem camisa que, no máximo, vai ser chamado de "pedreiro". Uma mulher que usa saia curta é piriguete. Qualquer cretino quer uma princesa rosa. Mas se é mulher e usa saia curta, ela não tem direito a querer seu príncipe (rosa?). O tal do príncipe rosa sai no Carnaval e pega todas (piriguetes, portanto), mas no resto do ano se faz de é um perfeito gentleman. Portanto, príncipe. E rosa. Se a princesa rosa sai no Carnaval (e nem precisar pegar todos os "príncipes"), não é princesa. É piriguete. Não importa o que é no resto do ano. Se o príncipe rosa pega uma piriguete e bota chifre na princesa rosa, ela tem que ir para a torre chorar e esperar, fazendo tricô ou bordado, até que o príncipe volte. No seu cavalo branco, é claro. Se ela se vingar, é piriguete. E ai dela se quiser um cavalo branco próprio!

Isso é retroceder na luta que as mulheres travaram (e travam) há décadas. Daí a dizer que ela "pediu para ser estuprada" é um pulo. E derivam daí frases visivelmente machistas como "para o homem é currículo, para a mulher é antecedente".

O que é ser piriguete, afinal de contas?

Uma vez me deram uma definição, dizendo que piriguete é aquela mulher oferecida que destrói casamentos. Veja bem, se o príncipe fosse tão príncipe assim, não existiriam piriguetes. Certo? 

Agora, se ser piriguete é usar o que bem entende, fazer o que bem entende, sem medo de julgamento da avó, dos machistas, enrustidos ou declarados, e das testemunhas de Jeová, então, autoproclamados "cavalheiros", me desculpem. Mas sou muito mais as piriguetes do que as "damas" que vocês estão pedindo. Corrijam-me se estou com a definição errada, por favor.

Eu tenho, além do cavalo branco próprio, a chave da porta da torre para sair quando bem entender. E aposto que se a sua mãe não tem, ela bem que queria ter.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Expectativas

Créditos da foto: Patrícia Arima
As pessoas são bem esquisitas. Às vezes dizem que você tem que acreditar para acontecer. Às vezes dizem que você precisa baixar suas expectativas para que sejam compatíveis com a realidade. Às vezes, ainda, dizem que você não deve ter nenhuma para não se frustrar.

Expectativas, perspectivas... Não consigo entender como é possível viver sem isso. (Estou correndo o risco de voltar ao papo dos zumbis. De novo.)

É claro que tenho expectativas. Não no sentido de ficar esperando cair do céu não. Mas, se eu invisto tempo, dinheiro, energia ou qualquer que seja o valor em questão, é óbvio que eu tenho expectativas.

Se dou o melhor de mim, espero o melhor do mundo. Se faço meia-boca, não espero grandes coisas. Se não faço esforço nenhum, o que vier é lucro. Simples assim. Minhas expectativas são ajustadas de acordo com o meu investimento. E não me contento com menos.


Não dá para ficar ouvindo lamúria de quem não investe nada, não arrisca nada e fica reclamando que não ganha nada. Então, não me venham com essa ladainha de não ter expectativa para não se frustrar. Isso é coisa de preguiçoso e de quem conta com a sorte. Sorte ajuda sim, mas você é responsável por buscá-la.



‎"Você nasceu no lar que precisava nascer, vestiu o corpo físico que merecia, mora onde melhor Deus te proporcionou, de acordo com o teu adiantamento.

Você possui os recursos financeiros coerentes com tuas necessidades... nem mais, nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas. 

Seu ambiente de trabalho é o que você elegeu espontaneamente para a sua realização. 
Teus parentes e amigos são as almas que você mesmo atraiu, com tua própria afinidade. 
Portanto, teu destino está constantemente sob teu controle. 
Você escolhe, recolhe, elege, atrai, busca, expulsa, modifica tudo aquilo que te rodeia a existência. 
Teus pensamentos e vontades são a chave de teus atos e atitudes. São as fontes de atração e repulsão na jornada da tua vivência. 
Não reclame, nem se faça de vítima. Antes de tudo, analisa e observa. 
A mudança está em tuas mãos. 
Reprograma tua meta, busca o bem e você viverá melhor. 
Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim." 

(Chico Xavier)


***

Para quem ainda não conhecia, essa na foto é a Bianca, a gata mais cão do mundo. Ela faz festa quando chego em casa, atende quando chamo, pede comida à mesa e até rosna de vez em quando. =)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Torcida de futebol, Michel Teló e zumbis

Parece-me que as redes sociais se tornaram um campo de batalha entre aqueles que amam e odeiam coisas que não merecem o drama.

Ora, o mundo está cheio de lixo desde sempre. Hoje é o BBB e o Michel Teló. Já tivemos Rala o Pinto, Xibom Bombom e Surra de Bunda. Acho que já deveríamos estar acostumados a passagens ilustres de porcarias de um verão só, ainda mais no país das bundas.

É importante que as redes sociais promovam discussões e debates. Só não vejo como discussões que se parecem com briga de torcida possam levar qualquer pessoa a qualquer tipo de crescimento.

O consumo de modismos não é senão reflexo daquilo que somos. Por que será que os filmes de zumbi e vampiros estão tão em alta? Coincidência? Acho que não.

Estamos no país manipulado por mídias que criticam o ensino de sociologia e filosofia no ensino obrigatório, dizendo que isso "impede o crescimento da nação", no país em que, acuados pelo medo, adotamos posturas autoritárias sem conhecimento de causa (e achando que estamos defendendo os nossos próprios interesses! ha!) e saímos por aí defendendo que deveria sim haver um Big Brother de verdade para controlar os meliantes. No entanto, gritamos contra a censura sem nem saber que estamos gritando a favor dela! 

E quando a Época diz que Michel Teló "traduziu os valores da cultura popular", não entendo o choque e a indignação. Primeiro, traduz MESMO: somos um povo  que não se mobiliza para pensar o coletivo e só se preocupa em pegar alguém na balada ou em xingar a outra torcida no Facebook. Segundo, quem é mesmo que edita a Época? Ah, tá.

Daí vamos às alternativas:

1) Desligue a TV. Ninguém obriga ninguém a assistir nada.
2) Desligue o computador. Idem.
3) Não quer desligar o computador? 

a. Há aplicativos que bloqueiam conteúdos indesejáveis.
b. Você sempre pode bloquear seus amigos que falam coisas indesejáveis.
c. Arrume amigos melhores, que compartilhem coisas mais interessantes e passíveis de debate verdadeiro (ainda bem que tenho vários desses na minha lista)
d. Leve com bom humor e ria das sátiras que postam por aí!



***

[EDIT] Terminei meu García Márquez. Não é nenhum "Amor nos tempos do cólera", mas gostei de "Memoria de mis putas tristes". E fiquei feliz de conseguir ler em espanhol. Já tinha lido alguns antes, do García Márquez, inclusive. Mas desta vez li rápido e sem perder muito do conteúdo. Sinal de que meu pobre espanhol está melhorando.

sábado, 31 de dezembro de 2011

¡Buenos Aires! y Feliz Año Nuevo

Estou de volta. Cansadíssima, mas feliz.

Esse negócio de viajar a Buenos Aires para bater cartão nos pontos turísticos, fazer compras e ainda querer pegar aulas de tango e milongas é bem cansativo. Vou querer voltar só para fazer o circuito tango e esquecer o resto!

A única decepção que trago é que não tive muita oportunidade de praticar meu parco espanhol. Parece-me que o real forte em relação ao peso argentino causou uma invasão brasileira e o idioma oficial lá é o portunhol. Quando eu perguntava as coisas em espanhol, me respondiam em portunhol. ¬¬

Algumas dicas para marinheiros de primeira viagem:

- Leve reais e não troque tudo de uma vez. Muitas lojas e restaurantes aceitam reais e o câmbio varia muito. Às vezes compensa pagar em reais. E antes de trocar, consulte sites como o www.dolarhoy.com para saber onde conseguir a melhor cotação.

- Para se locomover, diferentemente de São Paulo, o metrô nem sempre compensa, pois o tempo de espera dos trens pode não valer a pena. Fora a muvuca. Táxis são baratos e, mesmo que a distância seja grande, a cidade não tem tanto trânsito. E para distâncias curtas, caminhar é tranquilo, já que a cidade é plana e fácil para se orientar.

Buenos Aires Bus
- Muito melhor do que city tour de hotel, a cidade oferece um em ônibus de dois andares, partindo da Florida x Diagonal Norte. Os ônibus saem de 20 em 20 minutos e você pode descer e depois pegar outro com o mesmo bilhete. Dá para comprar bilhetes de 24h (70 pesos = mais ou menos 30 reais) ou de 48h (90 pesos = mais ou menos 40 reais). Tem gravações em vários idiomas e você bate cartão em todos os pontos turísticos da cidade. Mais informações em www.buenosairesbus.com

Must-see:

Café Tortoni
- Café Tortoni: bem turístico. A comida é boa e o lugar é lindo. Ilustres como Carlos Gardel e Jorge Luis Borges passaram por ali.

- Plaza Cortázar (ou Plaza Serrano): para curtir a noite em um dos vários bares ao redor da praça.

- Feira de San Telmo: feira de antiguidades que acontece aos domingos. É bem parecida com a paulistana feirinha da Benedito Calixto, mas vale a pena dar um pulo lá para olhar as quinquilharias. E dá direito a orquestras de tango tocando na rua e a sacadas de marketing excelentes como esta:
Feria de San Telmo

- Freddo: tem um em cada esquina. Maravilhoso. Uma bola de sorvete custa 6 pesos (mais ou menos R$2,50, contra os oito reais do nosso Sottozero). O de dulce de leche é um clássico, mas eu achei doce demais, até mesmo para padrões brasileiros. Mas, when in Rome... =)

Caminito
- El Caminito: lugar bem turístico, onde você pode tirar fotos fingindo dançar tango, comprar lembrancinhas e apreciar os artistas. Achei muito legal na primeira vez que fui (quando passei por Buenos Aires, em 2003), mas acho que uma vez só basta. =) Dizem que é bem perigoso ficar andando pelo bairro fora da área do Caminito, mas eu não testei. A única outra atração da região é o estádio do Boca Juniors. Mas, como meu interesse por futebol é nulo, só passar na frente de ônibus me bastou.

Cementerio de la Recoleta
- Cementerio de la Recoleta: se o sol não estiver rachando, refugiar-se no cemitério é um passeio bem legal. Dá para passar no túmulo de Eva Perón e deixar umas flores, se quiser. Bizarro ter um cemitério como ponto turístico, mas é um must-see de Buenos Aires. Todas as grandes avenidas estão enterradas lá. Para passar a eternidade lá custa caro, mas para dar uma voltinha não custa nada.

- Av. Córdoba e arredores: na altura do número 4500 começam os outlets. Para quem vai para a Argentina para comprar roupas ou tênis, é o paraíso. 

- Parrilla argentina: sem comentários! A carne é boa, macia e bem temperada! Tem que tirar o chapéu mesmo! Estou quase vegetariana de tanta carne que comi por lá. E acho que vou ficar um bom tempo sem comer carne vermelha...


Tango:

- Para aprender a dançar, é melhor pegar aulas antes de ir para lá. As aulas que peguei lá, apesar de admitirem iniciantes, são melhor aproveitadas se já souber o básico. Até porque fica difícil entender as figuras se não souber o nome de alguns movimentos básicos.

- Os shows de tango são para turista ver. Coreografias ensaiadas, movimentos excessivamente dramáticos, giros e saltos e acrobacias e tudo o mais. Vi um, pois, afinal de contas, ver acrobacias é sempre bacana. Mas muito mais legal (e infinitamente mais barato) ir a uma milonga e ver os velhinhos de 120 anos dançando (muito melhor do que você).

- Sapatos de tango: o atendimento das lojas é impressionante. Os vendedores são muito atenciosos e... sinceros! Eles te dizem se ficou bom ou não, se está grande aqui ou ali ou se vai te machucar o pé. Não ficam tentando te empurrar nada. Mulheres, mesmo não tendo a menor intenção de dançar tango na vida, os sapatos são lindos e bem mais confortáveis que sapatos tradicionais. Diz-se por aí que são os melhores sapatos do mundo =) Na foto um dos pares que comprei. Preços variam em torno dos 100 - 130 dólares o par. (Se for comprar no Brasil sai infinitamente mais caro) Duas lojas legais são a NeoTango, onde dá para escolher entre trocentos modelos com três tamanhos diferentes de salto (6.5, 7.5 ou 9.5cm) e que faz sapatos bem confortáveis e a Comme Il Faut, que tem modelos menos tradicionais, com cores e texturas diferentes, todos lindos. E o mais incrível destas duas lojas é que não só elas trabalham com o meu número (33 aqui no Brasil), mas também oferecem enorme variedade de modelos. Não sabia se ficava feliz ou desesperada. =)

Se volto para Buenos Aires? Com certeza.


***


Como demorei muito para escrever a postagem, já é dia 31. E como não sei se vou escrever mais, aproveito para desejar um 2012 maravilhoso e cheio de conquistas a todos que me leem.


Que não esperemos que 2012 seja um ano melhor, mas que sejamos melhores nós mesmos. =)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

De folga, finalmente.



Nem acredito que este semestre acabou.

Quando aceitei a proposta da segunda escola, já sabia que seria puxado. Mas fui em frente. Passei de agosto a dezembro trabalhando 14h por dia.

Sou a prova viva de que quando resolvemos algumas coisas, e resolvemos de coração, o mundo conspira para nos ajudar.

Muitos se perguntaram se eu estava tentando ficar rica. Rica? Desculpe, mas qual a parte do "sou professora" você não entendeu?

Não trabalhei 14h por dia para ficar rica. Até porque o trabalho toma muito do nosso tempo para podermos ficar ricos. (Mas isso é assunto para outra postagem).

Trabalhei 14h por dia porque isso fazia parte de uma meta maior, de médio prazo. E que finalmente está se concretizando. Não sei se minha satisfação maior vem do fato de que as coisas estão acontecendo como planejei ou se vem do fato de que eu consegui sobreviver cada um dos passos que estabeleci. É a primeira vez na vida que consigo atingir alguma coisa de médio prazo que fui eu mesma quem decidiu!

Este semestre que passou foi exaustivo, mas arrisco dizer que foi o mais fascinante em toda a minha vida profissional.

Lembro-me de quando entrei na faculdade de Letras. Meu objetivo, ao prestar vestibular, era bem idiota: conseguir um diploma e melhorar meu salário de professora. E só para eu quebrar a cara, me apaixonei pelo curso. E a cada dia meu objetivo de conseguir o diploma se tornava mais e mais insignificante perto de todas as outras coisas que o curso me proporcionava.

E esse semestre foi semelhante. Quando aceitei a proposta de ser professora de educação infantil (pasme!), meu objetivo era conseguir uma remuneração um pouco melhor do que em escolas de idiomas, ganhar experiência com crianças e mostrar no meu currículo que eu era mais versátil do que parecia. 


Grata surpresa.

A professora de adolescentes e Business English se jogou de cabeça. Tirei o esmalte roxo e as unhas compridas, tirei o rosa do cabelo, tirei os brincos grandes, o relógio, os colares, abandonei o salto alto, vesti moletom, avental e tênis. Quando olhei para a foto dos meus alunos de dois anos, quase tive um ataque. E quando eles foram entrando na sala de aula, o pânico tomou conta de mim. Eu? Que nunca tive contato com crianças? Nem sobrinhos, nem primos, nada. E foi a experiência mais transformadora da minha vida.


Sou muito grata a todas as pessoas que trabalharam comigo nesta empreitada, que suportaram minhas crises de cansaço e stress extremo e, principalmente, sou grata às crianças, que me deram diariamente aquela dose de energia positiva para continuar trabalhando as 14h por dia. Quem diz que criança suga energia é porque nunca trabalhou com elas. Aprendi com esta experiência muito mais do que ensinei.


No final consegui tudo o que tinha como objetivo inicial - assim como eu consegui o diploma da USP lá no passado. Mas não há palavras para descrever o que ganhei a mais.


2011 começou bem mal, mas deu tempo de virar o jogo. Ufa. Agora é descansar para ter uma boa colheita em 2012 do que comecei a plantar em 2011. =)


Agora vocês já sabem por que andei sumida do blog.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Dia dos Namorados

Quando estamos com alguém, escolhemos estar com essa pessoa. Não só no dia do casamento, ao dizer "sim". Não só no dia do "quer namorar comigo?".

O "sim" é uma escolha diária.

O "sim" é uma atitude diária.

O amor? Ah, o amor.

Ele vem de todas as formas e de todos os tamanhos. Como é possível padronizar, pasteurizar, massificar o amor?

A tentativa de comercializar o amor é ridícula (e todo mundo cai nessa). E aí não vale nada. 

Eu desisto de racionalizar. Não há razão no amor. Para alguns, o amor é insano, enorme, romântico, poético e volátil. Para outros, é pé no chão, cheio de regras e leis. Porque a roupa é diferente a essência não existe?

O amor dos outros não é como o seu.

E nenhum é como os comerciais da televisão.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Economia(s)


Há alguns tipos de mesquinharia que são difíceis de entender.


Entendo uma pessoa que diz que não vai ao teatro com você porque não pode gastar dez reais. Vai saber da vida da pessoa. Vai saber que dívidas e que prioridades ela tem. Até entendo que você não queira oferecer a entrada ao amigo (é difícil, mas entendo. Às vezes não dá mesmo. E às vezes a companhia nem é tão boa assim, sei lá. Vai saber).

Também entendo uma pessoa que não compra um livro, ou um filme, ou um álbum. Que vai baixar de graça da internet, mesmo sabendo que está deixando de pagar royalties para um escritor, ou diretor, ou músicos (e todo o restante da equipe) que trabalharam, assim como eu e você trabalhamos, para que aquilo existisse. Até isso eu entendo. Que atire a primeira pedra quem nunca pirateou nada.

O que eu não entendo, honestamente, é economia de afeto.

Afeto que fica dentro de si não cresce, não rende e não se multiplica. Afeto só se multiplica quando você entrega.

Em que se ganha ao economizar um elogio ou uma palavra carinhosa? Em que se ganha ao economizar "eu te amo"? Alguém me explica, por favor? Não tem lógica. (Exceto, é claro, quando não se ama ou quando o elogio não é sincero. Acho que uma crítica bem colocada é um ato de carinho maior do que um falso elogio. Aí, tudo bem. Entendo a economia. É uma questão de sinceridade.)

Uma vez recebi, na função de coordenadora, a visita de um pai de aluno. Ele estava ali para resolver uma pendência financeira e aproveitou a visita para conversar comigo. Ele agradeceu por termos feito seu filho aprender e, principalmente, feito com que ele gostasse e se interessasse pelo curso. Ele disse que o filho gostava muito do professor e do modo como ensinava, das atividades e curiosidades que trazia. 

Eu poderia ter seguido com os compromissos da minha agenda apertada, simplesmente. Mas fiz questão de chamar o professor em minha sala, para comunicá-lo do ocorrido. Com ou sem essa informação, o professor teria continuado com o seu trabalho. Mas eu achei importante que ele soubesse que seu trabalho estava dando resultado e estava sendo reconhecido. Tenho certeza de que, ao colocar a cabeça no travesseiro à noite, este professor  pensou: "estou no caminho certo".

O professor continua fazendo o seu trabalho. A empregada continua limpando. O médico continua operando. O filósofo, filosofando. O mundo não vai parar porque não ouviu que é importante.

Ninguém morre por falta de afeto. Fato. 

Exceto o afeto em si.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Trilhos

Há períodos em que é difícil se manter nos trilhos. Ou o trem vai muito rápido ou o condutor está bêbado demais. Não importa. Por vezes é necessário desacelerar para evitar o descarrilhamento. E tudo bem sair dos trilhos um pouco. Mas tem que voltar, ainda que sua estrada férrea não seja linear, plana e cor-de-rosa como se espera.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Mulher de fases, e não é a dos Raimundos

Passada a fase de "morro-de-dó-de-mim-mesma" e a fase de "que-se-dane-o-mundo-vou-me-fechar-na-minha-concha" e "que-se-dane-o-cartão-de-crédito-vou-estourar-mesmo", entrei numa fase sem nome ainda.

Passou a revolta. Repensei todas as minhas decisões. Aceitei que as pessoas erram e que errar é humano e que, ainda que às vezes eu pense ser uma espécie de semideusa que tem total controle sobre minha vida, ainda sou humana e, portanto, tenho o direito de errar e de perder o controle vez ou outra. E penso também que tudo o que fiz faz parte de quem sou e que não dá para se condenar por escolhas que fizemos lá em mil novecentos e nada. Na época pareciam ser as melhores escolhas. E às vezes escolhemos por pura falta de escolha. Vai saber se eu conseguiria ter feito diferente.

É isso, sabe? Em conversa com uma colega de trabalho tão perfeccionista quanto esta que vos fala, proferi a seguinte frase: "Às vezes 'bom' é ótimo e 'excelente' é péssimo. Dar conta de tudo mais ou menos é melhor do que excelência nisso ou aquilo e deixar todo o resto a desejar".

E com a vida é assim também. Tudo o que fiz foi achando que seria o melhor possível. E talvez tenha sido. Não tenho títulos, não tenho reconhecimento, não tenho certificados, não tenho bens, mas tenho uma coisa que achava que todo mundo tinha e descobri que a maior parte das pessoas não tem: vida.

Vivo em qualidade, quantidade e intensidade.

Quantas pessoas de 32 anos podem dizer que já participaram de concurso de merengue no Chile completamente bêbados e com a roupa suja de lama? Quantas podem dizer que tocaram para mais de 300 pessoas uma música própria numa banda de garagem (com toda a galera cantando o refrão junto)? Quantas podem dizer que prestaram vestibular para sete carreiras diferentes, passaram em todas e sortearam para saber qual cursar, aí não gostaram do curso e, mesmo tendo passado na USP, desistiram depois de dois anos e foram prestar vestibular de novo? Quantas tiveram a manha de caronar mais de 3600km em uma só viagem? E viajar para ficar uma semana na Chapada dos Guimarães e acabar ficando o mês? Quantas tiveram bolsa de iniciação científica da Fapesp? E quantas sentaram numa mesa de bar para tomar uma cerveja com o Iron Maiden? Quantas se perderam no metrô em Paris sem saber falar francês? Quantas socaram um ladrão? Quantos corações partidos? Quantas partidas? Quantos casaram de branco, num espartilho que impedia a respiração? E quantos tomaram a decisão de separar? Quantos fizeram poesia? Quantos trabalharam em mil empregos com mil funções diferentes (de negociar vendas milionárias até lavar prato e passear cachorro, não necessariamente nesta ordem)?

E quantos fizeram tudo isso na mesma vida?

Não sou melhor do que ninguém, mas enquanto o povo estava tirando certificado, acumulando bens e se batendo por dinheiro reconhecimento, eu estava vivendo, fazendo coisas, me tornando uma pessoa mais interessante.

Agora vou correr atrás do prejuízo e tentar arrumar títulos e bens. Mas ó: eu fiz um montão de coisas. Não deixei para fazer na aposentadoria (porque acho que viver com o objetivo de se aposentar é muito podre). E vou continuar fazendo coisas, sabe? Aula de tango, enfim. Não tenho certificado de nenhuma das coisas que fiz, mas certamente tenho histórias para contar...

quarta-feira, 23 de março de 2011

Daqui pra frente

Muito bem. Declaro que, a partir da presente data, acabou a autopiedade e consequente autoindulgência. O que foi, foi. O que não foi, não foi. Mas o que será começa agora. Me aguentem.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Ajuste de prioridades


Há cerca de seis meses tive um conversa interessante com uma pessoa que mal chega a ser um conhecido. Esta pessoa acompanhava o amigo com quem eu fui almoçar. Mal sabe ela o impacto que teve em minha vida.


Na época, confesso que achei engraçado. Adotei como experimento e o resultado está sendo fantástico.

A frase impactante foi algo do tipo: "Todos os dias eu jogo meia-hora de videogame."

A reação racional foi: "Ah, que folga! Se eu tivesse meia-hora para jogar videogame todos os dias, seria um privilegiado."

E aí aconteceu a mágica. Ele disse: "Bom, depende da sua prioridade. A minha é jogar videogame. Não é fazer freelance, nem hora extra. Se tiver serviço, eu vou fazer com o saco e o tempo que me restar depois de jogar minha meia-hora de videogame."

Normalmente fazemos o caminho inverso. Nos entupimos de trabalho e, se sobrar algum tempo livre (o que é raro), pensamos no que fazer. (Mas somos pouco criativos e acabamos assistindo televisão mesmo).

O mesmo se aplica a finanças. Aprendi a me organizar financeiramente invertendo a ordem das coisas. Assim que recebo, aplico uma parte. E eu que me vire para viver com o resto. Se eu viver o mês e deixar para aplicar o que sobrar, nunca sobra nada (e às vezes ainda termino devendo).

Foi genial ver alguém aplicar o mesmo princípio das minhas finanças, só que em outro campo e de um jeito inusitado. É importante notar que não se trata de um ato extremamente ambicioso. Meia-hora de videogame. Pronto. Pode ser meia-hora de qualquer coisa. Não é nada ambicioso ou ousado demais que não possamos gerenciar. O dia tem 24h, dizem por aí. Trabalhamos umas 10h ou 12h (privilegiados trabalham menos) e passamos 3h nos locomovendo entre trabalho-casa (privilegiados passam menos tempo). A matemática não é difícil. Sendo otimista, 24 - 10 - 3 = 11.

Nestas onze horas vamos colocar o tempo de sono, o banho, refeições, manter a casa arrumada e limpa, cuidar dos animais de estimação, manter uma vida social mínima (conversar com pessoas que moram com você, atualizar redes sociais, etc.) e... freelances e horas extras e preparação para trabalhar no dia seguinte.

Em geral, o que acontece é que, para jogar a meia-hora de videogame tiramos essa meia-hora do sono. E aí ficamos achando que é privilégio o cara jogar todos os dias. Não é. Ele só trocou. Ao invés de tirar do sono, ele tirou do trabalho.

Já faz muito tempo que não tenho qualquer tipo de hobby. (Me desculpe quem acha que assistir televisão, ler um livro ou jogar videogame é hobby. Para mim, isso é passatempo. Hobby, na minha opinião, é algo que envolve criatividade, de alguma forma. É algo que a gente faz ativamente. Daí o nome atividade.) E, ao organizar minha agenda esse ano, pensei que vou ter pelo menos uma atividade que não seja o trabalho. No caso, está sendo o tango (que, aliás, estou adorando). Na quarta-feira, naquele horário, não dou aula, não dou consultoria, não faço tradução, não vendo minha alma.

A grana apertou sim, é claro. Faz diferença. Além de não estar recebendo naquele horário, ainda estou pagando! Mas, hoje, só consigo pensar: "Como foi que consegui viver tanto tempo para o trabalho e somente para o trabalho?"

Estou empolgada. Queria fazer tantos outros cursos! Ourivesaria, cerâmica, canto, academia... Mas aí penso na meia-hora de videogame. Ele consegue a meia-hora justamente porque é meia-hora, e não três ou doze. Uma coisa de cada vez. Vai demorar mais para eu comprar o apartamento, mas vou ter menos cabelos brancos quando a hora chegar.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Two to tango

Não é exatamente nobre admitir que decidi tomar as aulas para vigiar o namorado, eu sei. Mas, veja bem... Não é que ele tenha entrado para o time de futebol ou começado a disputar racha em carros tunados... É tango, cacete. A dança sensual por excelência, na minha modesta opinião. Eu sempre quis fazer, mas acho que nunca tive a motivação certa. Ok. Aí está.

Motivações ridículas à parte, estou feliz de ter tomado a decisão de vigiá-lo, pois gostei muitíssimo da aula. E estava pensando que, fosse dez ou quinze anos atrás, eu simplesmente não conseguiria. Isso porque, como em toda dança, o homem conduz e a mulher é conduzida. E sempre achei difícil demais ser conduzida. E o medo de perder o controle? Como lidar com a minha própria ansiedade de não saber o que vai acontecer? Para onde isso vai?

Bem, estou tendo que aprender a perder o controle. A confiar no parceiro e a confiar em mim mesma. E acreditar que terei o equilíbrio para me mover com leveza e graça, não importando para onde sou levada.

Parece-me um ótimo aprendizado.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Um mês e meio depois

O grande problema de todos os vícios é a lavagem cerebral a que somos submetidos todos os dias de nossas vidas. 

Parar de fumar é fácil. Fala-se de vício químico e o escambau. Olha, todas as noites o fumante fica suas oito horas sem cigarro. (Tem aqueles que acordam no meio da noite para fumar, mas, mesmo esses, ficam, digamos, quatro horas sem cigarro, ok?) Se o vício fosse realmente somente químico, acho que conseguiríamos ficar as mesmas oito (ou quatro) horas sem fumar durante o dia também, não conseguiríamos? Tente. (Ou vão dizer que o sono fabrica nicotina?)

Como posso crer em um sistema que me diz para parar de fumar e reforça em cada cena do cotidiano o quanto o cigarro acalma nos momentos de estresse, alegra nas festas, traz vida ao momento do ócio, ajuda a concentrar, socializa o ser humano, ajuda na digestão e promove quase outro orgasmo se acontecer depois do sexo? Olha a foto aí do lado, gente. Não dá, né?

Quer um motivo para parar de fumar? Esqueça a saúde, esqueça a lei antifumo, esqueça o fedor, esqueça tudo isso. Nada disso me fez parar. Só me fez estressar mais e querer fumar mais. Se quiser parar, pare porque você não aceita mais a lavagem cerebral. Pare porque você se recusa a ser manipulado. Não pela nicotina, mas pela lavagem cerebral. Só por isso.

Pior do que o cigarro são as revistas femininas. Mas isso é assunto para outro post.


P.S.: Depois de tantos anos dando aula em escolas de idiomas eu sou obrigada a saber disso: happy Valentine's Day (para quem está fora ou para quem é de fora).


P.P.S.: Quem ainda não foi ver "Cisne Negro" (Black Swan), vá! Com certeza o melhor filme que vi nos últimos tempos. Até a atuação da Natalie Portman me agradou - algo absolutamente inesperado.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Filosofia de boteco I

Um(a) parceiro(a) traz cores para o seu mundo. Mas se o seu mundo é feio, incompleto e bagunçado, as cores não servem para nada. Ele vai continuar feio, incompleto e bagunçado, só que colorido. Não. Não. Nenhuma melhoria aí. Você pintaria o seu apartamento  com cores über legais, mas cujos móveis estão caindo aos pedaços, a luz está cortada, o esgoto não funciona e não tem internet?! Não faz o menor sentido. O seu mundo tem que ser um lugar legal. Aí sim novas cores vão deixá-lo um lugar melhor. #fimdepapo

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Minha vida sem nicotina - Parte III ou IV ou V...

Essa não é a primeira vez que paro de fumar, mas espero que seja a última. Ninguém merece passar por isso mais do que uma vez na vida.

Não vou perder tempo para falar dos malefícios do cigarro e nem de como é linda, ó tão linda, a vida sem ele. Até porque não é. Na verdade, é um lixo. Pelo menos no começo.

Todo fumante sabe que o cigarro faz mal. Aliás, qualquer criança de quatro anos sabe. E ficar cutucando o seu amigo, namorado, marido, chefe, amante... não vai servir de absolutamente nada. Só serve para desatormentar a alma do chato politicamente correto que vai se sentir como se tivesse "feito a sua parte" e atormentar mais ainda a alma do pobre diabo que fuma que nem um condenado para desestressar do estresse de saber que está consumindo coisas tóxicas e viciantes.

Não há como convencer alguém a parar de fumar. Enquanto a pessoa não decidir, não adianta. Então, parem de atazanar os fumantes. Nós sabemos que faz mal, sabemos que a fumaça fede, sabemos que incomoda e sabemos que somos cada vez mais discriminados. Isso não ajuda em nada. ("Nós", eu inclusive, porque acho que ex-fumante é igual ex-corno. Não existe).

Uma vez parei de fumar porque o médico mandou. Tive dores de cabeça absurdas, tremedeiras... parecia uma drogada mesmo. Foi horrível. Ao final de uma semana estava disposta a arrancar um braço (meu mesmo! Arranco braço dos outros por muito menos) em troca de um cigarro. E, para evitar o desmembramento, voltei a fumar.

Parar de fumar é uma decisão individual.


Estou há 15 dias sem fumar. Tem hora que quero me virar do avesso de vontade. Mas eu sei que é o cigarro que alimenta essa vontade e que, se eu parar de alimentá-la, uma hora ela vai me importunar menos. E cada vez menos.


E vamo que vamo. Um dia de cada vez.


[EDIT] Se você convive comigo e me vir tendo uma recaída, pedindo por um cigarro, faça-me um favor: abra a mão e dê na minha cara de palma aberta. (Mas não com as costas da mão, que aí é sacanagem).