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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Um mês e meio depois

O grande problema de todos os vícios é a lavagem cerebral a que somos submetidos todos os dias de nossas vidas. 

Parar de fumar é fácil. Fala-se de vício químico e o escambau. Olha, todas as noites o fumante fica suas oito horas sem cigarro. (Tem aqueles que acordam no meio da noite para fumar, mas, mesmo esses, ficam, digamos, quatro horas sem cigarro, ok?) Se o vício fosse realmente somente químico, acho que conseguiríamos ficar as mesmas oito (ou quatro) horas sem fumar durante o dia também, não conseguiríamos? Tente. (Ou vão dizer que o sono fabrica nicotina?)

Como posso crer em um sistema que me diz para parar de fumar e reforça em cada cena do cotidiano o quanto o cigarro acalma nos momentos de estresse, alegra nas festas, traz vida ao momento do ócio, ajuda a concentrar, socializa o ser humano, ajuda na digestão e promove quase outro orgasmo se acontecer depois do sexo? Olha a foto aí do lado, gente. Não dá, né?

Quer um motivo para parar de fumar? Esqueça a saúde, esqueça a lei antifumo, esqueça o fedor, esqueça tudo isso. Nada disso me fez parar. Só me fez estressar mais e querer fumar mais. Se quiser parar, pare porque você não aceita mais a lavagem cerebral. Pare porque você se recusa a ser manipulado. Não pela nicotina, mas pela lavagem cerebral. Só por isso.

Pior do que o cigarro são as revistas femininas. Mas isso é assunto para outro post.


P.S.: Depois de tantos anos dando aula em escolas de idiomas eu sou obrigada a saber disso: happy Valentine's Day (para quem está fora ou para quem é de fora).


P.P.S.: Quem ainda não foi ver "Cisne Negro" (Black Swan), vá! Com certeza o melhor filme que vi nos últimos tempos. Até a atuação da Natalie Portman me agradou - algo absolutamente inesperado.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Minha vida sem nicotina - Parte III ou IV ou V...

Essa não é a primeira vez que paro de fumar, mas espero que seja a última. Ninguém merece passar por isso mais do que uma vez na vida.

Não vou perder tempo para falar dos malefícios do cigarro e nem de como é linda, ó tão linda, a vida sem ele. Até porque não é. Na verdade, é um lixo. Pelo menos no começo.

Todo fumante sabe que o cigarro faz mal. Aliás, qualquer criança de quatro anos sabe. E ficar cutucando o seu amigo, namorado, marido, chefe, amante... não vai servir de absolutamente nada. Só serve para desatormentar a alma do chato politicamente correto que vai se sentir como se tivesse "feito a sua parte" e atormentar mais ainda a alma do pobre diabo que fuma que nem um condenado para desestressar do estresse de saber que está consumindo coisas tóxicas e viciantes.

Não há como convencer alguém a parar de fumar. Enquanto a pessoa não decidir, não adianta. Então, parem de atazanar os fumantes. Nós sabemos que faz mal, sabemos que a fumaça fede, sabemos que incomoda e sabemos que somos cada vez mais discriminados. Isso não ajuda em nada. ("Nós", eu inclusive, porque acho que ex-fumante é igual ex-corno. Não existe).

Uma vez parei de fumar porque o médico mandou. Tive dores de cabeça absurdas, tremedeiras... parecia uma drogada mesmo. Foi horrível. Ao final de uma semana estava disposta a arrancar um braço (meu mesmo! Arranco braço dos outros por muito menos) em troca de um cigarro. E, para evitar o desmembramento, voltei a fumar.

Parar de fumar é uma decisão individual.


Estou há 15 dias sem fumar. Tem hora que quero me virar do avesso de vontade. Mas eu sei que é o cigarro que alimenta essa vontade e que, se eu parar de alimentá-la, uma hora ela vai me importunar menos. E cada vez menos.


E vamo que vamo. Um dia de cada vez.


[EDIT] Se você convive comigo e me vir tendo uma recaída, pedindo por um cigarro, faça-me um favor: abra a mão e dê na minha cara de palma aberta. (Mas não com as costas da mão, que aí é sacanagem).