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terça-feira, 9 de setembro de 2014

Eu tenho medo do mesmo


Tem gente que tem medo de mudança. Eu tenho medo do mesmo.

Não é que eu não consigo me adaptar a rotinas. Até consigo. É a estagnação que me dá desespero. Preciso estar em movimento, em equilíbrio dinâmico, como dizem os físicos.

Água parada dá dengue.

Socorro.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Âncoras

Com data marcada para zarpar e São Paulo expirando no prazo de validade, estou pensando no peso das minhas âncoras. Quantas delas são minhas de verdade? Quantas são da minha sociedade? Quantas são da minha família?

Somos este composto de coisas, lugares, pessoas e ideias.

E estava pensando que a mais paulistana das minhas coisas é esse medo absurdo de viver uma vida diferente. 

Paulistano vive reclamando da correria, do trânsito, do aluguel, da espera no restaurante, do chefe que liga às 19h34 do domingo exigindo aquele relatório, do estacionamento do shopping e da internet que nunca tem a velocidade pela qual você pagou. Mas acorda todo dia em cima da hora, enfia uma torrada goela abaixo enquanto entra no carro para pegar a Marginal, chega ao trabalho uma hora e meia depois, já estressadíssimo, mas cedo o suficiente para ganhar pontos com o chefe, enrola trinta minutos no Facebook, trabalha até o segurança avisar que vai fechar o prédio (se o prédio tiver esse privilégio) para ganhar pontos com o chefe, entra no carro, fica revoltado porque pega trânsito às 22h00, come alguma porcaria, acessa o e-mail e responde os que conseguir até umas duas horas da manhã (e fica todo orgulhoso ao saber que o chefe vai ver o horário de envio), desmaia de gravata no sofá mesmo enquanto tenta assistir algum seriado da moda para ter assunto com as poucas pessoas com quem conversa no café da empresa e logo começa tudo de novo. No seu momento de lazer, assim como todos os outros paulistanos, ele se enfia no carro com a sua família e vai para o shopping comprar tudo o que julga necessário para preencher o seu vazio, e acha normal esperar três horas para comer no restaurante que os colegas recomendaram. Tudo bem. Enquanto espera dá tempo de responder aqueles e-mails do trabalho e ler aquelas piadas no Facebook para smartphone. E a ordem de tudo está mantida.

Ao longo da minha não tão longa vida, descobri que eu não sou workaholic. Muita gente se espanta quando digo que prefiro trabalhar pouco e ganhar pouco a trabalhar muito e ganhar muito.

Preciso ter tempo livre para o meu ócio criativo. Para quem não sabe, além de escrever as bobagens aqui, eu também pinto, desenho, leio muito, danço e canto. Cultivo minhas amizades, saio bastante para comer fora, caminhar pela cidade, discutir coisas novas, testar jeitos diferentes de olhar o mundo, seja na companhia de outros, seja sozinha. Um tempo de solidão também é muito importante para mim. Preciso disso. Revejo meus conceitos sobre tudo de tempos em tempos e mantenho alguns e mudo outros.

Acho que a maior parte das pessoas é engolida pela vida e usa isso como desculpa para não pensar nela. E o pior é que são bem-sucedidas nisso e passam a vida como zumbis, sem ter conquistado nada além de bobagens materiais.

Não me isento disso não. Também vivo como zumbi a maior parte do tempo. Afinal, as contas chegam e tenho que pagar a fatura do cartão com todos os supérfluos que comprei no shopping para me sentir menos vazia. Mas eu luto contra isso, sabe? Minha saída de São Paulo é uma tentativa de uma vida diferente, com menos correria. Quem sabe eu não consigo achar minha missão ali? Quem sabe eu não consigo responder àquelas perguntas todas que me incomodam desde sempre? Quem sabe?

Eu não sei. Nunca sabemos. Mas acho que devemos ouvir as palavras dos mais velhos. Uma pessoa que respeito muito me disse essa semana: "Quando se é jovem como você, a vida é muito séria. Vocês levam tudo muito a sério. A vida é simples. Você anda para frente e, se tropeçar, levanta. Não leve tudo tão a sério. Viva mais e tenha menos medo. Quando estamos relaxados e descontraídos, além de cair menos, dói menos quando acontece. Se estamos tensos e inflexíveis, caímos mais e nos machucamos mais."

E esta me parece ser uma boa verdade.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Sonhos

"Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor." Johann Goethe (1749-1832)


Sou uma pessoa que morre todos os dias se não tiver um sonho e se não viver esse sonho. Eu tenho que seguir em frente até o sonho acabar. Se não é para frente, é para baixo. O meu lado escuro me envolve, me engole, me digere e eu morro.

Sonhos podem virar pesadelos. Mas aí eu arrumo outro sonho para perseguir. Sem sonho, eu morro.

Isso que sou não me basta. Essa carreira que tenho não é suficiente.  Essa vida que levo não me faz feliz. Tenho dúvidas se a cidade que me acolheu no nascimento e na minha vida até o momento ainda me cabe.

Lá vou eu para outra reviravolta na minha jornada.

Quando me separei e me vi só, pensei que seria o início de uma vida de independência. Sonhava em ter meu apartamento, em decorá-lo com cores vivas, ter um espaço para os meus livros e minhas gatas, pendurar minha rede cearense na varanda e ser capaz de dizer que não precisava de ninguém. E me vi com um salário ridículo, voltando a morar com os meus pais, a carreira estagnada e com um monte de sonhos destroçados.

Pensei que não tinha forças para me refazer. Morria de inveja das pessoas que conseguiam recomeçar. E não me dei conta de que toda a minha apatia derivava de um só componente: eu não sonhei com convicção. Meu sonho era fraco. Era supérfluo. Meu sonho nem era sonho de verdade.

Lutei sim. Persisti sim. Minha carreira encontrou um espaço onde eu conseguia pagar as minhas contas e isso me realizou por um tempo. Só que aí subi em um balão e olhei para mim mesma lá de cima. E vi que estava depositando o que achava que eram sonhos em um emprego. E essa não sou eu.

E as caixas da mudança ainda estão fechadas. Desde a minha separação, há 3 anos, que tenho caixas e caixas fechadas entulhando a casa dos meus pais. O que tem lá dentro? Nem eu sei.

Agora tenho um novo sonho. Ele vai me custar dinheiro, carreira, amigos, família e cidade natal. E é grande. Se é.

E vou ter que abrir aquelas caixas. Para fazer novas caixas, com novos sonhos. E, dentro de uma delas, vai a rede que comprei no Ceará.

Por enquanto, só tirei as telas e as tintas. E estou indo pintar um novo caminho. 


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Educando

http://www.mshos.com/blog/welcome-back-to-school-
Acho que todo ano eu posto sobre o assunto, não? Mas não tem jeito. Professor que não sente friozinho na barriga no primeiro dia de aula é porque já engessou. Já robotizou. Já deixou de ser professor.

Hoje comecei no colégio novo. Por enquanto só no extracurricular. A partir de quarta-feira, carga cheia, no ensino regular também. =)

Muitas vezes vejo as pessoas comentando que professor tem vida boa, que "escolhe os dias de trabalho", "trabalha pouco", "reclama de barriga cheia".

Não vou ficar defendendo a classe porque isso cabe ao sindicato. No entanto, existe uma grande diferença - conceitual, eu diria - entre o professor (ou instrutor) e o educador.

Uma pessoa que sobe no tablado, despeja conteúdo na cabeça do aluno e testa se o aluno "captou" (o conteúdo) é um professor? Ué. Pode ser sim. Tive inúmeros desses. 

Aqui, no entanto, vou defender a figura do educador. E, independentemente de área, de série, de tipo de curso, existem professores ou instrutores e existem educadores.

O educador é aquele que não tem vida fácil. Que pode até escolher os dias em que estará presente na escola, mas não os dias de trabalho, pois trabalha todos os dias. Domingos e feriados, inclusive. E não me refiro somente à preparação das atividades. O educador reflete sobre suas práticas todos os dias. Ele aprende todos os dias. E isso dá um trabalho do cão. Ou você acha que sala dos professores só serve para vender bolo e Avon? Uma sala dos professores onde há educadores é um ambiente de troca, de reflexão, de dizer "putz, usei a atividade que você me emprestou e não deu certo no meu grupo. Por que será?". 

O educador pensa no conteúdo sim. É claro. É pago para isso. Mas, além disso, ele pensa também no modo como esse conteúdo vai ser trabalhado e quem é esse aluno que está diante dele e em como esse aluno está inserido no contexto histórico. 

E não é proibido errar. A educação é um eterno laboratório. Revelarei aqui um segredo milenar: quando o professor erra, é o aluno se sente culpado, burro e incapaz. Fórmula de sucesso, não? Fica fácil para o professor usar a desculpa "Eles são desinteressados e não querem nada com nada."

E acho que aí reside uma das principais diferenças entre um educador e um instrutor. O educador chama para si a responsabilidade e se pergunta como fazer para envolver aquele aluno. Por que será que ele está desinteressado? Como será que posso tornar isso aqui tão fascinante para ele como é para mim?

Ser educador dói. É reconhecer em si mesmo a incompetência diante do fracasso escolar do outro. É ter a humildade de se saber um eterno incompleto. Dói mesmo. Mas é também saber que, assim como nos fracassos, você também tem parte nos méritos.

Existem vários tipos de recompensa na educação. A menor delas é o salário, infelizmente. A segunda menor delas é quando você pergunta "O que aprendemos hoje?" e os seus alunos listam o que estava no seu campo "objetivos" do plano de aula. Sinal de que fiz o mínimo. 

Agora quando um aluno de 4 anos te pergunta "tia (primeiro dia de aula, vai. Hoje passa. hahaha), amanhã tem inglês de novo?"... Pô. Ganhei meu dia. =)

Um feliz ano letivo a todos os meus colegas educadores. 


Colegas professores-instrutores-despejadores-de-conteúdo, espero que possam se tornar educadores também. A classe, com sentido duplo mesmo, agradece.


***

Recado para a Madoka: me passa o seu endereço (do blog), por favor? Entrei no seu perfil, mas não aparece link lá.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Outra expectativa

Estou devendo visita, estou devendo postagem, mas estou em planejamento por causa de outra expectativa: a volta às aulas. =) Escola nova, alunos novos, tudo novo (cadernos novos!!! AMO!). Se arrumar tempo, escrevo amanhã.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

De folga, finalmente.



Nem acredito que este semestre acabou.

Quando aceitei a proposta da segunda escola, já sabia que seria puxado. Mas fui em frente. Passei de agosto a dezembro trabalhando 14h por dia.

Sou a prova viva de que quando resolvemos algumas coisas, e resolvemos de coração, o mundo conspira para nos ajudar.

Muitos se perguntaram se eu estava tentando ficar rica. Rica? Desculpe, mas qual a parte do "sou professora" você não entendeu?

Não trabalhei 14h por dia para ficar rica. Até porque o trabalho toma muito do nosso tempo para podermos ficar ricos. (Mas isso é assunto para outra postagem).

Trabalhei 14h por dia porque isso fazia parte de uma meta maior, de médio prazo. E que finalmente está se concretizando. Não sei se minha satisfação maior vem do fato de que as coisas estão acontecendo como planejei ou se vem do fato de que eu consegui sobreviver cada um dos passos que estabeleci. É a primeira vez na vida que consigo atingir alguma coisa de médio prazo que fui eu mesma quem decidiu!

Este semestre que passou foi exaustivo, mas arrisco dizer que foi o mais fascinante em toda a minha vida profissional.

Lembro-me de quando entrei na faculdade de Letras. Meu objetivo, ao prestar vestibular, era bem idiota: conseguir um diploma e melhorar meu salário de professora. E só para eu quebrar a cara, me apaixonei pelo curso. E a cada dia meu objetivo de conseguir o diploma se tornava mais e mais insignificante perto de todas as outras coisas que o curso me proporcionava.

E esse semestre foi semelhante. Quando aceitei a proposta de ser professora de educação infantil (pasme!), meu objetivo era conseguir uma remuneração um pouco melhor do que em escolas de idiomas, ganhar experiência com crianças e mostrar no meu currículo que eu era mais versátil do que parecia. 


Grata surpresa.

A professora de adolescentes e Business English se jogou de cabeça. Tirei o esmalte roxo e as unhas compridas, tirei o rosa do cabelo, tirei os brincos grandes, o relógio, os colares, abandonei o salto alto, vesti moletom, avental e tênis. Quando olhei para a foto dos meus alunos de dois anos, quase tive um ataque. E quando eles foram entrando na sala de aula, o pânico tomou conta de mim. Eu? Que nunca tive contato com crianças? Nem sobrinhos, nem primos, nada. E foi a experiência mais transformadora da minha vida.


Sou muito grata a todas as pessoas que trabalharam comigo nesta empreitada, que suportaram minhas crises de cansaço e stress extremo e, principalmente, sou grata às crianças, que me deram diariamente aquela dose de energia positiva para continuar trabalhando as 14h por dia. Quem diz que criança suga energia é porque nunca trabalhou com elas. Aprendi com esta experiência muito mais do que ensinei.


No final consegui tudo o que tinha como objetivo inicial - assim como eu consegui o diploma da USP lá no passado. Mas não há palavras para descrever o que ganhei a mais.


2011 começou bem mal, mas deu tempo de virar o jogo. Ufa. Agora é descansar para ter uma boa colheita em 2012 do que comecei a plantar em 2011. =)


Agora vocês já sabem por que andei sumida do blog.

domingo, 6 de novembro de 2011

14 horas por dia

Olha, eu não sei se voltei ou não. Estou bem sem tempo. Quando estiver trabalhando menos de 14h por dia, volto em definitivo.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Economia(s)


Há alguns tipos de mesquinharia que são difíceis de entender.


Entendo uma pessoa que diz que não vai ao teatro com você porque não pode gastar dez reais. Vai saber da vida da pessoa. Vai saber que dívidas e que prioridades ela tem. Até entendo que você não queira oferecer a entrada ao amigo (é difícil, mas entendo. Às vezes não dá mesmo. E às vezes a companhia nem é tão boa assim, sei lá. Vai saber).

Também entendo uma pessoa que não compra um livro, ou um filme, ou um álbum. Que vai baixar de graça da internet, mesmo sabendo que está deixando de pagar royalties para um escritor, ou diretor, ou músicos (e todo o restante da equipe) que trabalharam, assim como eu e você trabalhamos, para que aquilo existisse. Até isso eu entendo. Que atire a primeira pedra quem nunca pirateou nada.

O que eu não entendo, honestamente, é economia de afeto.

Afeto que fica dentro de si não cresce, não rende e não se multiplica. Afeto só se multiplica quando você entrega.

Em que se ganha ao economizar um elogio ou uma palavra carinhosa? Em que se ganha ao economizar "eu te amo"? Alguém me explica, por favor? Não tem lógica. (Exceto, é claro, quando não se ama ou quando o elogio não é sincero. Acho que uma crítica bem colocada é um ato de carinho maior do que um falso elogio. Aí, tudo bem. Entendo a economia. É uma questão de sinceridade.)

Uma vez recebi, na função de coordenadora, a visita de um pai de aluno. Ele estava ali para resolver uma pendência financeira e aproveitou a visita para conversar comigo. Ele agradeceu por termos feito seu filho aprender e, principalmente, feito com que ele gostasse e se interessasse pelo curso. Ele disse que o filho gostava muito do professor e do modo como ensinava, das atividades e curiosidades que trazia. 

Eu poderia ter seguido com os compromissos da minha agenda apertada, simplesmente. Mas fiz questão de chamar o professor em minha sala, para comunicá-lo do ocorrido. Com ou sem essa informação, o professor teria continuado com o seu trabalho. Mas eu achei importante que ele soubesse que seu trabalho estava dando resultado e estava sendo reconhecido. Tenho certeza de que, ao colocar a cabeça no travesseiro à noite, este professor  pensou: "estou no caminho certo".

O professor continua fazendo o seu trabalho. A empregada continua limpando. O médico continua operando. O filósofo, filosofando. O mundo não vai parar porque não ouviu que é importante.

Ninguém morre por falta de afeto. Fato. 

Exceto o afeto em si.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Eu tenho medo do mesmo

Anos ímpares são anos de mudanças. Parece-me que todos os grandes acontecimentos da minha vida mais recente se deram em anos ímpares. (Os anos pares são anos de acomodação)

Foi em 1997 que entrei na USP. Em 1999 comecei a dar aulas em escolas de idiomas. Em 2001 decidi seguir carreira acadêmica. Em 2003, desisti. Em 2005 comecei a trabalhar, pela primeira vez, em empresa (e não em escola). Em 2007, desisti das empresas. Também foi o ano em que me casei. Em 2009 me separei.

Cadê a minha grande mudança de 2011? 

Tem gente que tem medo de mudanças. Eu tenho medo do mesmo (e não é o do elevador). Socorro.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Mulher de fases, e não é a dos Raimundos

Passada a fase de "morro-de-dó-de-mim-mesma" e a fase de "que-se-dane-o-mundo-vou-me-fechar-na-minha-concha" e "que-se-dane-o-cartão-de-crédito-vou-estourar-mesmo", entrei numa fase sem nome ainda.

Passou a revolta. Repensei todas as minhas decisões. Aceitei que as pessoas erram e que errar é humano e que, ainda que às vezes eu pense ser uma espécie de semideusa que tem total controle sobre minha vida, ainda sou humana e, portanto, tenho o direito de errar e de perder o controle vez ou outra. E penso também que tudo o que fiz faz parte de quem sou e que não dá para se condenar por escolhas que fizemos lá em mil novecentos e nada. Na época pareciam ser as melhores escolhas. E às vezes escolhemos por pura falta de escolha. Vai saber se eu conseguiria ter feito diferente.

É isso, sabe? Em conversa com uma colega de trabalho tão perfeccionista quanto esta que vos fala, proferi a seguinte frase: "Às vezes 'bom' é ótimo e 'excelente' é péssimo. Dar conta de tudo mais ou menos é melhor do que excelência nisso ou aquilo e deixar todo o resto a desejar".

E com a vida é assim também. Tudo o que fiz foi achando que seria o melhor possível. E talvez tenha sido. Não tenho títulos, não tenho reconhecimento, não tenho certificados, não tenho bens, mas tenho uma coisa que achava que todo mundo tinha e descobri que a maior parte das pessoas não tem: vida.

Vivo em qualidade, quantidade e intensidade.

Quantas pessoas de 32 anos podem dizer que já participaram de concurso de merengue no Chile completamente bêbados e com a roupa suja de lama? Quantas podem dizer que tocaram para mais de 300 pessoas uma música própria numa banda de garagem (com toda a galera cantando o refrão junto)? Quantas podem dizer que prestaram vestibular para sete carreiras diferentes, passaram em todas e sortearam para saber qual cursar, aí não gostaram do curso e, mesmo tendo passado na USP, desistiram depois de dois anos e foram prestar vestibular de novo? Quantas tiveram a manha de caronar mais de 3600km em uma só viagem? E viajar para ficar uma semana na Chapada dos Guimarães e acabar ficando o mês? Quantas tiveram bolsa de iniciação científica da Fapesp? E quantas sentaram numa mesa de bar para tomar uma cerveja com o Iron Maiden? Quantas se perderam no metrô em Paris sem saber falar francês? Quantas socaram um ladrão? Quantos corações partidos? Quantas partidas? Quantos casaram de branco, num espartilho que impedia a respiração? E quantos tomaram a decisão de separar? Quantos fizeram poesia? Quantos trabalharam em mil empregos com mil funções diferentes (de negociar vendas milionárias até lavar prato e passear cachorro, não necessariamente nesta ordem)?

E quantos fizeram tudo isso na mesma vida?

Não sou melhor do que ninguém, mas enquanto o povo estava tirando certificado, acumulando bens e se batendo por dinheiro reconhecimento, eu estava vivendo, fazendo coisas, me tornando uma pessoa mais interessante.

Agora vou correr atrás do prejuízo e tentar arrumar títulos e bens. Mas ó: eu fiz um montão de coisas. Não deixei para fazer na aposentadoria (porque acho que viver com o objetivo de se aposentar é muito podre). E vou continuar fazendo coisas, sabe? Aula de tango, enfim. Não tenho certificado de nenhuma das coisas que fiz, mas certamente tenho histórias para contar...

quarta-feira, 23 de março de 2011

Daqui pra frente

Muito bem. Declaro que, a partir da presente data, acabou a autopiedade e consequente autoindulgência. O que foi, foi. O que não foi, não foi. Mas o que será começa agora. Me aguentem.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Primeiro dia de aula

Não importa se fazemos isso há um, dois, dez ou quinze anos. 

Não importa se a aula está preparada, se há atividades o suficiente para seis horas de aula. 

Não importa se nós já trabalhamos com o livro seis, sete vezes antes. 

A sala dos professores em polvorosa, gente para lá e para cá com cartolina, papéis, tesouras, bolas, balões e caixas e mais caixas... A consulta ao relógio de parede a cada trinta segundos e aquela ansiedade no fundo do estômago... Aquela olhada no diário para conhecer os nomes dos alunos que vamos acompanhar pelo próximo ano e os segundos vagarosos e audíveis antes do horário da aula.

A última respirada antes de sair do quartel general. A sala dos professores é a última trincheira. Não há mais volta. 

Já estamos prontos para nos apaixonarmos pela próxima turma.

Que comece o ano letivo!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Ensinando crianças

Sempre fui apavorada para dar aula para crianças. Continuo morrendo de medo. Todo ano é a mesma coisa. Na atribuição de aulas acendo vela, faço macumba, rezo e apelo para todos os santos para não me darem turmas de crianças.

Este semestre tive a minha turma mais jovem de toda a minha carreira. E aprendi algumas coisas:


* Não é nada pessoal;

* Se você não disser que tem que pular linha, eles não pulam linha;
* Virar as costas, nem pensar. Em menos de um segundo eles conseguem escalar a lousa e se pendurar no teto;
* Instruções devem ser breves e simples, o caos leva menos do que 2 segundos para se instalar se eles não entenderem o que é para fazer;
* Fazer todo mundo sentar e ficar quieto depois de uma atividade agitada é praticamente impossível;
* Criatividade? É pouco;
* Você gasta em uma hora a mesma energia que gastaria em quatro horas de aulas para adultos;
* O difícil não é passar conteúdo, mas criar condições para isso;
* Você prepara 100 atividades achando que vai dar para duas aulas. Não dá. Você usa todas as 100 e ainda tem que improvisar mais umas duas;
* Quando eles fazem bico no último dia de aula e perguntam "Mas já acabaram as aulas? Não, professora... Eu queria continuar... Se eu quiser continuar tendo aula nas férias, você vem?", você esquece todo o perrengue que passou.

sábado, 16 de outubro de 2010

Educando


Quando eu era coordenadora em escola e selecionava professores para trabalhar comigo, uma das minhas perguntas durante a entrevista era: "O que é, na sua opinião, um bom professor?" Uma vez um candidato me respondeu: "Um bom professor é aquele que prepara suas aulas, conhece o conteúdo, corrige as tarefas em dia e chega no horário." Minha resposta: "Você me disse o que é um professor. Esse é o mínimo. Eu perguntei o que é um bom professor."

Pensando um pouco sobre as nossas práticas, penso que um bom professor é, acima de tudo, um educador. É alguém que não está somente preocupado com 'passar o conteúdo', mas a preparar seus alunos para um mundo individualista, hedonista e de moral duvidosa.

Um bom professor, além de ser conhecedor do conteúdo que ensina, precisa saber que trabalha com pessoas. Aquela imagem do professor falando ininterruptamente enquanto os alunos dormem copiam a matéria no caderno já está há muito ultrapassada.

É verdade que hoje, sem palmatória, chapeu de burro e cantinho do pensamento, dá muito mais trabalho lidar com a atitude dos alunos. Acho que esse é o maior preconceito que há por parte das pessoas que nunca deram aula e dizem que jamais seriam professores. Para quem está de fora, o que vem imediatamente à mente é um grupo de quarenta adolescentes atirando objetos pela sala enquanto o professor tenta inutilmente controlar os ânimos da turma. No entanto, na prática é bem diferente. Uma turma envolvida e interessada não atira objetos pela sala (a não ser que você proponha uma atividade que inclua objetos sendo atirados pela sala) e cabe também ao professor despertar o interesse de seus alunos.

Essa geração Y não aceita mais "precisa aprender porque é importante". Essa geração pergunta "para que vou precisar disso?!" E se o professor não tiver a resposta, terá objetos voando pela sala.

Não adianta ter lousa interativa, internet ultra-power-plus, tecnologias mil. Isso ajuda, é claro. Mas nada substitui o papel do professor. É ele o grande responsável por atiçar o interesse dos alunos, trabalhar com esse interesse e extrair conhecimento dali. É claro que há interferência de fatores individuais em qualquer processo de aprendizagem, que é sim estressante e dá trabalho. Todo mundo tem medo de errar, de ser ridicularizado, de não conseguir aprender. Ninguém é bom em tudo. Mas é o professor o responsável por boa parte das ações que vão fazer com que o aprendizado aconteça (ou não). É o professor quem vai decidir como apresentar aquele novo tópico, como despertar interesse nos alunos, como trabalhar as atividades, se vai dar mais ou menos tempo para certos assuntos, o quanto de prática vai reservar para cada um dos pontos, que tipos de prática e assim por diante.

Feliz Dia do Professor atrasado a todos aqueles que fazem com que objetos voem pela sala somente quando proposto. E insistem na carreira, mesmo que desvalorizada!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Talento x Prática

Embora ainda seja um tema polêmico, acredito que as pessoas nascem com certas aptidões. Isso não impede que desenvolvamos habilidades com o tempo, é claro. Até eu consegui aprender matemática o suficiente para passar no vestibular. 

A grande questão da busca profissional, na minha opinião, é aliar a nossa aptidão natural com o quanto o mercado está querendo pagar por ela. Outro dia li uma entrevista com um headhunter (mas esqueci o nome dele) em que ele diz que carreira se constroi se conseguirmos juntar três requisitos:

1) Gostar do que faz;
2) Fazer bem;
3) Ter alguém disposto a pagar por isso.

Se qualquer dos três elementos estiver em falta, não é carreira.

Já ouvi mais de uma pessoa dizendo que tenho talento para música e que eu deveria largar tudo para tentar viver disso. Juro que não concordo e não é falsa modéstia (já disse que odeio falsa modéstia? Se não disse, digo agora: odeio falsa modéstia).

Aos onze anos fui tomada por uma paixão inexplicável pela música. Meu irmão já vinha insistindo havia algum tempo para que minha mãe o matriculasse num curso de teclado. Eu me juntei ao coro e conseguimos que meus pais nos colocassem em uma escolinha de música aqui no bairro. Depois de poucos meses, meu irmão desistiu. E eu continuei. Estudei um ano. Quando decidi parar de estudar, minha mãe ficou uma fera: "Você não termina nada!" Ora. É lógico que termino. Eu terminei meu curso. O que eu queria era aprender a ler partitura. E aprendi! Até solfejar eu sei! - ou sabia.


Dos doze aos dezoito eu continuei tocando. Comprava as partituras ali na Rua Direita. Primeiro as mais simples. Depois Bach, Mozart... Qualquer pessoa que toca piano sabe que sou péssima, mas que se dane. E formei minha primeira banda de rock. Minha amiga que tocava guitarra me ensinou uma meia dúzia de acordes (é o que sei até hoje), já que a necessidade de uma segunda guitarra era maior do que a de um teclado. Logo fui chamada para tocar teclado em outra banda. E mais outra. E mais outra. Minha vida aos dezoito era música. Além dos ensaios com as bandas, somava mais de doze horas por semana entre ensaios do coral e aulas de teclado, vocal e guitarra (voltei a estudar para ver se aprendia alguma coisa de harmonia, mas infelizmente não consegui). Ainda estudava e trabalhava (para pagar meus cursos).


E logo veio a rotina e, de uma hora para outra, não havia mais tempo para a música. Era só estudo e trabalho.

E passaram-se mais de dez anos.

De vez em quando me arrisco no karaokê. Na última festa me arrisquei a tocar a minha meia dúzia de acordes no violão de cordas de aço (e quase morri de dor porque não tenho mais calos nos dedos). Mas é isso. Música é hobby. Eu sei que não tenho talento. O que sei dá para enganar um leigo bem leigo. E só sei o que sei porque há anos de dedicação ali.

Estou querendo retomar meu passatempo. Pretendo comprar um violão novo em breve, já que o meu está em estado de calamidade, depois de um hiato de dez anos sem uso. O corpo do violão está rachado e nem segurar a afinação ele segura mais. Vi um Yamaha legal por preço pagável. Cordas de nylon, é claro.

Dizem que canto com a alma. Que arrepia. Já me disseram para ir para o programa de calouros do Raul Gil. Olha, eu não vou. Minha voz não é trabalhada, não sei impostar direito, vibrato é uma coisa de outro mundo, eu desafino, tenho péssimo ouvido (e quem me ouve também), minha noção de ritmo é sofrível e morro de vergonha de cantar em um palco. Minha voz até some. Mas as pessoas tem razão em parte. Eu canto com a alma sim. Música é uma paixão. Não um talento. Faz sentido. 

E a dica é: se sua paixão não é igual ao seu talento inato, que se dane. Se mate de praticar para ser medíocre naquilo, ué. Antes apaixonado e medíocre do que ter para sempre um amor inalcançável.

E tenha dó dos meus futuros vizinhos.

domingo, 10 de outubro de 2010

MegaSena, otários, princesas e dragões

Depois que o indivíduo ganhou 119 milhões de reais na MegaSena, não conheço um brasileiro que não tenha especulado sobre o assunto.


Sinceramente, eu não gostaria de ganhar tal quantia. É muito dinheiro. Chama muita atenção. Eu teria que desaparecer sem deixar vestígios e ir morar em algum lugar das Montanhas Rochosas. Meu amigo R. faria isso, mas ele não gosta muito de pessoas. Eu gosto. (Além de não ser grande fã do frio).


Mas, conversando com um pessoal, surgiu uma opinião da qual compartilho. A pessoa disse: "Se eu tivesse levado os 119 milhões, resolveria da seguinte forma: 5 milhões para cada parente que viesse pedir." (pausa dramática) Todo mundo ficou quieto, cada um com a sua opinião. Eis que a pessoa continua: "Aí perguntaria em quanto tempo ela iria me pagar de volta e faria um contrato com multa caso não se cumpra o combinado. Os 5 milhões são suficientes para qualquer pessoa abrir seu próprio negócio e tocar legal para que o sonho se realize não de imediato, mas para sempre (ou por um bom tempo). Mas se eu não peço o dinheiro de volta, o indivíduo vai lá e compra um monte de tranqueira e dali a pouco está tocando lá em casa pedindo mais."

E não é verdade? O bom e velho provérbio do "tudo que vem fácil, vai fácil" é bem verdadeiro. Aquilo por que batalhamos tem um valor muito maior do que o dinheiro. Ali tem história, tem sentimento, tem um monte de coisa que um prêmio de loteria não proporciona. Qualquer primata escolhe seis números. Só precisa de sorte para acertar. 

E é por isso que caras que fazem tudo pela mulher entediam. Se não há desafio algum, também não tem graça.

E também é por isso que não vou me filiar a nenhum movimento sem-teto para ganhar bolsa-moradia do governo (a não ser, realmente, que eu venha a perder absolutamente tudo na vida), e também é por isso que não vou procurar marido rico para me sustentar. Embora encontrar tal otário homem seja um desafio assaz difícil, depois de alcançado é certo que enfadar-me-ei. (Existe mesóclise na nova regra ortográfica?)

Eu gostaria sim de ganhar na loteria. Dois milhões. É mais do que suficiente para eu poder levar uma vida confortável, ajudar quem eu acho que devo e não perder a total noção de realidade, de humanidade, de normalidade, enfim. Continuaria trabalhando normalmente, mas diminuiria o ritmo. Talvez abrisse minha própria escola, mas não estou certa disso. Não trabalharia aos sábados pela tarde, por exemplo. Disso estou certa. (Possivelmente não colocaria anúncios no blog também). Talvez escolhesse um bairro menos perigoso, mas não moraria numa torre de marfim. Toda torre de marfim tem um dragão tomando conta. E é um saco ser a princesa vitimada esperando o príncipe, não? 

Prefiro eu mesma matar o dragão e sair da torre por conta. 

Mas que dois milhões ajudariam... Ah! Se ajudariam!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O que quer que seja "azul cerúleo"


Peço desculpas aos meus leitores que apreciam uma leitura mais imagética. Estou passando por um período tão racional que sinto-me incapaz de escrever menos jornalisticamente e mais literariamente. Minha rotina durante a semana está tão apertada que mal sobra tempo de ficar doente. E há quem pense que estou ganhando dinheiro com isso. Não. Não estou. Mas estou tentando. Minha meta é conseguir um financiamento para comprar meu apartamento ainda esse ano. Nem que seja um de 20 metros quadrados na cracolândia (na foto), que, aliás, teve abatimento de 20% na última atualização do IPTU. E acho que é o que vou conseguir mesmo, pois me recuso a morar em Itaquera ou em Diadema. Como diz uma amiga minha "Não interessa que o prédio é horroroso por fora. É dentro que você vai morar." E eu concordo.

Já pensei em dividir. Já coloquei anúncio para procurar gente para dividir. E já tirei o anúncio.

Aprecio o silêncio. Quero uma parede azul cerúleo. Se é que é o azul que estou pensando. Não abro mão das duas gatas. Ando de pijama o dia inteiro. Quero uma rede de descanso no meio da sala. Vermelha. E cozinha americana, se possível. Também quero uma poltrona bem gostosa, para me jogar depois de um dia de trabalho. E um sofá-cama para hospedar os incautos. Não quero gente assistindo televisão. Odeio televisão. Não quero gente reclamando da minha bagunça. E, sim, as gatas vão sim destruir os móveis. E, principalmente, não quero gente enchendo o meu saco por causa dos meus horários. Que o meu despertador toque insistentemente e que eu possa apertar o "soneca" mil vezes às 5 da manhã, sem atrapalhar ninguém. Quero esparramar meus cosméticos pelo banheiro. Quero tocar violão às 2 da manhã e tomar banho às 3h. Gosto de luz indireta e cortinas.

E é isso.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Compromisso

"No momento em que nos comprometemos, a providência divina também se põe em movimento. Todo um fluir de acontecimentos surge ao nosso favor. Como resultado da atitude, seguem todas as formas imprevistas de coincidências, encontros e ajuda, que nenhum ser humano jamais poderia ter sonhado encontrar. Qualquer coisa que você possa fazer ou sonhar, você pode começar. A coragem contém em si mesma, o poder, o gênio e a magia." (Goethe)

Parece-me que a parte mais difícil de um compromisso é assumi-lo. Depois que já está decidido, vira técnica.

Tomei uma decisão simples, porém importantíssima na semana passada. Recusei um emprego estável, que paga o dobro do que estou ganhando hoje. Não quis sequer negociar. Não importa o quanto a pessoa está disposta a pagar: não será suficiente. Não porque acho que mereço ganhar muito mais. Não é esse o ponto. Mas porque sei que serei, como sempre fui, descartável. Que quando o cara resolver que fiquei cara ou que estou faltando demais por afastamento psiquiátrico, serei substituída, minhas gavetas esvaziadas e não haverá sequer tempo de minha cadeira esfriar até que seja ocupada por um novo funcionário de uns vinte anos que trabalhe com o dobro de empenho (eu não disse "competência", friso) pela metade do salário. E não há como lutar contra isso. É fenômeno mundial.

Independentemente do que vai acontecer com o meu bolso, decidi que 2011 é o ano do investimento em mim mesma. Estou voltando para a universidade. Já tem seis anos que saí de lá. Serão sete no ano que vem. Número cabalístico. Tentativa de mestrado de número três. Outro número cabalístico. Desta vez eu termino! Já pensei muito em fazer pós em faculdade particular. Mas lembrei de um antigo lema meu mesmo: se é para fazer, faz direito (e não Direito, como também já considerei). Além disso tem a questão da grana. Não estou disposta a vender meu carro para pagar um curso particular que não vai aumentar mais do que alguns centavos na minha hora de trabalho. E que, possivelmente, não vai me acrescentar muito mais do que já aprendi com a experiência.

Tanto o mundo já começou a conspirar que começaram a aparecer algumas ideias para o projeto. Aguardem-me. Vou desemburrecer.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Postagem Miojo (pronto em 3 minutos)

As postagens estão rápidas por dois motivos:

1) Minha vida anda rápido.

2) Comecei a dar aula em uma escola nova. Depois de 5 anos na mesma rede, estou conhecendo uma rede nova, livros novos, tudo novo e uma carga horária quase 50% maior do que a carga horária do semestre em que fiquei mais sobrecarregada na outra rede. E, claro, cada turma com um livro diferente. Ainda estou em fase de capacitação (foram 3 semanas no total) e praticamente sem horário para dormir, tomar banho, comer e outras coisas mais mundanas. Ainda por cima hoje recebi a notícia de que darei aula para crianças também, duas tardes por semana. Medo. Medo. MEDO. Segunda-feira começa de vez.

Por favor reservem minha vaga no hospital psiquiátrico mais próximo. Obrigada.

Sei que estou devendo emails e prometo que respondo nas próximas semanas. Logo me adapto ao novo ritmo.

PS: Achei o meu apartamento! Ele só está 80 mil reais além do que consigo financiar! Já estou chegando mais perto! Vai MegaSena...


PPS: E é claro que DEUS MURPHY fez acontecer de novo. Depois de um semestre inteiro garimpando alunos particulares sem sucesso, agora que arrumei um fixo estou com 4 pessoas na fila e sem horário para elas. Irônico, não?

domingo, 27 de junho de 2010

Fé no mundo

Não faz muito tempo postei neste mesmo blog um texto que falava do mesmo assunto: a fé no mundo. (Clique aqui para ler) Eu havia acabado de me separar e de deixar um emprego fixo, com salário e benefícios razoáveis, sem ter absolutamente nada em vista: só a vontade de fazer minha própria vida.

Passado um semestre, me deparo com a mesma situação. (Porque a vida de professor é organizada em semestres).

Diante das várias bifurcações (ou "polifurcações") que a vida nos oferece, me vi novamente em dúvida entre o certo e o duvidoso.

No certo, eu ganharia X por mês e morreria de trabalhar, não me restando tempo para tocar projetos pessoais. Já conheço o serviço e sei que não ia dar para levar numa boa. Embora seja um trabalho legal e o desafio me anime bastante, sei que não serei valorizada e vou me estressar com isso.

No duvidoso, além de eu não ter a certeza de ser aprovada no processo seletivo (que vai até a segunda quinzena de julho), eu ganharia menos do que 1/3 de X.

Qualquer pessoa normal aceitaria o certo. Certo? Adivinha qual caminho vou trilhar?

Chamem-me de louca, de idiota ou de sem noção. Tenho a mais absoluta certeza de que, no emprego certo, em menos de um ano eu estaria insatisfeita e frustrada.

Mais uma vez, terei fé no mundo e vou arriscar. Antes o duvidoso do que a certeza de um aborrecimento.

Sou aquela pessoa que chama uma carteira de 50% em renda fixa e 50% em variável de "moderada". (Ah, gente. "Agressivo" é do tipo 100% em variável.)

Meu avô já falava que podemos viver de dois jeitos: curto e grosso ou comprido e fininho.

Passei alguns anos tentando viver comprido e fininho. E é claro que não deu certo.

Lá vou eu, mais uma vez, esperar o melhor do mundo. Quem sabe dessa vez não me dou bem?

[Foda-se MODE ON]