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sábado, 23 de agosto de 2014

Vidro de azeitona

O primeiro problema pós-separação é definitivamente o vidro de azeitona.

"Amo-or, abre pra miiiiiim?"

E seu super-heroi particular vinha para salvá-la desta hecatombe privada. 

Não estou falando daquelas vezes todas em que você fingiu não conseguir abrir só para o seu homem se sentir útil. Não. Estou falando daquela vez em que você machucou todos os dedos, depois tentou abrir com o pano de prato, tentou tirar a pressão com a faca, quase se automutilou no processo e, dentro do vidro, você via as malditas azeitonas, cheias de sarcasmo.

E aí bate aquela coisa dentro do peito. Aquela angústia de não se saber capaz de seguir em frente. De ter que tomar novos caminhos, diferentes daqueles outros tão familiares. De abrir mão das azeitonas.

Mas aí você se lembra de que pode comprar azeitonas a granel. Ou até mesmo aquelas em embalagens plásticas (que são até mais baratas). E tudo fica bem.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Investimento

E então eu desisti de investir em terra. Resolvi investir em tapete voador.

Quando investimos em terra, alguém pode vir e fazer um buraco. Ou te tomam a terra, assim, sem mais.

Mas tapete voador não. Você não precisa de chão para voar.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Passado

E eis que encontro as velhas cartas de amor do namorado que foi o meu ex-marido. De todo o amor eterno da última carta, datada três dias antes do casamento, ficaram os honorários do advogado e a assinatura do divórcio na quinta-feira que vem.

Reciclagem.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Sonhos

"Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor." Johann Goethe (1749-1832)


Sou uma pessoa que morre todos os dias se não tiver um sonho e se não viver esse sonho. Eu tenho que seguir em frente até o sonho acabar. Se não é para frente, é para baixo. O meu lado escuro me envolve, me engole, me digere e eu morro.

Sonhos podem virar pesadelos. Mas aí eu arrumo outro sonho para perseguir. Sem sonho, eu morro.

Isso que sou não me basta. Essa carreira que tenho não é suficiente.  Essa vida que levo não me faz feliz. Tenho dúvidas se a cidade que me acolheu no nascimento e na minha vida até o momento ainda me cabe.

Lá vou eu para outra reviravolta na minha jornada.

Quando me separei e me vi só, pensei que seria o início de uma vida de independência. Sonhava em ter meu apartamento, em decorá-lo com cores vivas, ter um espaço para os meus livros e minhas gatas, pendurar minha rede cearense na varanda e ser capaz de dizer que não precisava de ninguém. E me vi com um salário ridículo, voltando a morar com os meus pais, a carreira estagnada e com um monte de sonhos destroçados.

Pensei que não tinha forças para me refazer. Morria de inveja das pessoas que conseguiam recomeçar. E não me dei conta de que toda a minha apatia derivava de um só componente: eu não sonhei com convicção. Meu sonho era fraco. Era supérfluo. Meu sonho nem era sonho de verdade.

Lutei sim. Persisti sim. Minha carreira encontrou um espaço onde eu conseguia pagar as minhas contas e isso me realizou por um tempo. Só que aí subi em um balão e olhei para mim mesma lá de cima. E vi que estava depositando o que achava que eram sonhos em um emprego. E essa não sou eu.

E as caixas da mudança ainda estão fechadas. Desde a minha separação, há 3 anos, que tenho caixas e caixas fechadas entulhando a casa dos meus pais. O que tem lá dentro? Nem eu sei.

Agora tenho um novo sonho. Ele vai me custar dinheiro, carreira, amigos, família e cidade natal. E é grande. Se é.

E vou ter que abrir aquelas caixas. Para fazer novas caixas, com novos sonhos. E, dentro de uma delas, vai a rede que comprei no Ceará.

Por enquanto, só tirei as telas e as tintas. E estou indo pintar um novo caminho. 


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Reviravolta




E assim é. Uma hora o mundo está de pé, outra hora de cabeça para baixo.

Quando a gente menos espera, vem o mundo e te derruba. E aí vem alguém e te coloca de pé de novo. Mas aí você tropeça na escada e fica de cabeça para baixo de novo. E aí se levanta e por aí vai.

Acho que está na hora de começar a apreciar montanhas-russas com "looping", pois já precisei de  muitos saquinhos de vômito nessa vida.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Marcas

Às vezes me acontece isso de escrever um monte e deletar antes de postar. Fico levemente frustrada, mas depois penso que foi melhor assim. Nada que eu vá postar quando estou brava, chateada ou irritada pode ser bom.

A vantagem do blog ou do Facebook é que temos este tempo de escrever, despejar tudo ali, ler, reler e pensar antes de clicar no botão.

Seria ótimo se pudéssemos fazer isso na vida fora do computador também. 

Todas as nossas ações deixam marcas. Há um provérbio que diz que devemos escrever as coisas ruins na areia e as coisas boas em mármore. É. Devemos. Às vezes não conseguimos. Seja na areia, seja no mármore, deixamos marcas por aí. Algumas se apagam como pegadas na areia. Outras são sobrepostas como quando você se cansa daquela tatuagem que você fez aos dezesseis anos e já está toda feia e verde. Mas outras ficam e viram cicatrizes. Outras nunca cicatrizam.

Se perdoar é deixar que a cicatriz não te incomode mais, então que seja. Gostaria de ser mais nobre e tal, mas é bem difícil andar por aí com o abdômen aberto, segurando os intestinos dependurados, o sangue jorrando e dizendo que aquilo não te incomoda. Não sou vingativa, não faço planinhos malignos, mas tem coisa que demora para cicatrizar. E tem que respeitar, porra.

sábado, 3 de março de 2012

Luto

A minha vida vai bem, obrigada, dadas as circunstâncias.

Tenho lido bastante, trabalhado outro tanto, dançado outro tanto. Ainda sobrou um vazio, mas por enquanto, não quero preencher com nada nem ninguém.

Enquanto isso, luto.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Ponto final

É triste porque não foi o monte de coisas que eu esperava que fosse.

Mas chega de se lamentar pelo que não foi.

Obrigada, D., pelo que foi. Se houver um reencontro, que seja de duas pessoas diferentes; que possam amar, confiar e respeitar. Por enquanto, adeus.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Príncipes, princesas e piriguetes

Essas postagens que estão circulando por aí criticando as piriguetes são tão machistas que me causam asco. Em tempo, essa é a única e última vez que usarei o termo "piriguete".

Quer dizer que um cara pode andar na rua sem camisa que, no máximo, vai ser chamado de "pedreiro". Uma mulher que usa saia curta é piriguete. Qualquer cretino quer uma princesa rosa. Mas se é mulher e usa saia curta, ela não tem direito a querer seu príncipe (rosa?). O tal do príncipe rosa sai no Carnaval e pega todas (piriguetes, portanto), mas no resto do ano se faz de é um perfeito gentleman. Portanto, príncipe. E rosa. Se a princesa rosa sai no Carnaval (e nem precisar pegar todos os "príncipes"), não é princesa. É piriguete. Não importa o que é no resto do ano. Se o príncipe rosa pega uma piriguete e bota chifre na princesa rosa, ela tem que ir para a torre chorar e esperar, fazendo tricô ou bordado, até que o príncipe volte. No seu cavalo branco, é claro. Se ela se vingar, é piriguete. E ai dela se quiser um cavalo branco próprio!

Isso é retroceder na luta que as mulheres travaram (e travam) há décadas. Daí a dizer que ela "pediu para ser estuprada" é um pulo. E derivam daí frases visivelmente machistas como "para o homem é currículo, para a mulher é antecedente".

O que é ser piriguete, afinal de contas?

Uma vez me deram uma definição, dizendo que piriguete é aquela mulher oferecida que destrói casamentos. Veja bem, se o príncipe fosse tão príncipe assim, não existiriam piriguetes. Certo? 

Agora, se ser piriguete é usar o que bem entende, fazer o que bem entende, sem medo de julgamento da avó, dos machistas, enrustidos ou declarados, e das testemunhas de Jeová, então, autoproclamados "cavalheiros", me desculpem. Mas sou muito mais as piriguetes do que as "damas" que vocês estão pedindo. Corrijam-me se estou com a definição errada, por favor.

Eu tenho, além do cavalo branco próprio, a chave da porta da torre para sair quando bem entender. E aposto que se a sua mãe não tem, ela bem que queria ter.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Desapaixonar-se

Quando nos apaixonamos o mundo fica mais colorido, os pássaros cantam melhor e nem o BBB irrita tanto. A paixão vem como um tsunami e invade cada poro do nosso corpo. Até respirar é inebriante.

O processo inverso, no entanto, não é arrebatador e nem ocorre de súbito. Ele é silencioso como o diabetes. E, assim como a doença, deixamos de processar o açúcar.

Penso na lei da conservação de energia. Experimente segurar uma bola de basquete na altura dos ombros. Agora solte a bola. Ela vai quicar, mas não  vai voltar para as suas mãos, a não ser que se acrescente uma dose de energia. Sem essa energia, a cada vez que a bola quica, ela volta menos. Até que ela fica no chão e você não brinca mais.

Filosofia de boteco do dia I: ou você segura a bola o tempo todo ou dá um empurrãozinho para ela voltar.

Filosofia de boteco do dia II: alguns relacionamentos são como bolas de basquete, mas outros são como bolas de boliche.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Dia dos Namorados

Quando estamos com alguém, escolhemos estar com essa pessoa. Não só no dia do casamento, ao dizer "sim". Não só no dia do "quer namorar comigo?".

O "sim" é uma escolha diária.

O "sim" é uma atitude diária.

O amor? Ah, o amor.

Ele vem de todas as formas e de todos os tamanhos. Como é possível padronizar, pasteurizar, massificar o amor?

A tentativa de comercializar o amor é ridícula (e todo mundo cai nessa). E aí não vale nada. 

Eu desisto de racionalizar. Não há razão no amor. Para alguns, o amor é insano, enorme, romântico, poético e volátil. Para outros, é pé no chão, cheio de regras e leis. Porque a roupa é diferente a essência não existe?

O amor dos outros não é como o seu.

E nenhum é como os comerciais da televisão.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Economia(s)


Há alguns tipos de mesquinharia que são difíceis de entender.


Entendo uma pessoa que diz que não vai ao teatro com você porque não pode gastar dez reais. Vai saber da vida da pessoa. Vai saber que dívidas e que prioridades ela tem. Até entendo que você não queira oferecer a entrada ao amigo (é difícil, mas entendo. Às vezes não dá mesmo. E às vezes a companhia nem é tão boa assim, sei lá. Vai saber).

Também entendo uma pessoa que não compra um livro, ou um filme, ou um álbum. Que vai baixar de graça da internet, mesmo sabendo que está deixando de pagar royalties para um escritor, ou diretor, ou músicos (e todo o restante da equipe) que trabalharam, assim como eu e você trabalhamos, para que aquilo existisse. Até isso eu entendo. Que atire a primeira pedra quem nunca pirateou nada.

O que eu não entendo, honestamente, é economia de afeto.

Afeto que fica dentro de si não cresce, não rende e não se multiplica. Afeto só se multiplica quando você entrega.

Em que se ganha ao economizar um elogio ou uma palavra carinhosa? Em que se ganha ao economizar "eu te amo"? Alguém me explica, por favor? Não tem lógica. (Exceto, é claro, quando não se ama ou quando o elogio não é sincero. Acho que uma crítica bem colocada é um ato de carinho maior do que um falso elogio. Aí, tudo bem. Entendo a economia. É uma questão de sinceridade.)

Uma vez recebi, na função de coordenadora, a visita de um pai de aluno. Ele estava ali para resolver uma pendência financeira e aproveitou a visita para conversar comigo. Ele agradeceu por termos feito seu filho aprender e, principalmente, feito com que ele gostasse e se interessasse pelo curso. Ele disse que o filho gostava muito do professor e do modo como ensinava, das atividades e curiosidades que trazia. 

Eu poderia ter seguido com os compromissos da minha agenda apertada, simplesmente. Mas fiz questão de chamar o professor em minha sala, para comunicá-lo do ocorrido. Com ou sem essa informação, o professor teria continuado com o seu trabalho. Mas eu achei importante que ele soubesse que seu trabalho estava dando resultado e estava sendo reconhecido. Tenho certeza de que, ao colocar a cabeça no travesseiro à noite, este professor  pensou: "estou no caminho certo".

O professor continua fazendo o seu trabalho. A empregada continua limpando. O médico continua operando. O filósofo, filosofando. O mundo não vai parar porque não ouviu que é importante.

Ninguém morre por falta de afeto. Fato. 

Exceto o afeto em si.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Daqui pra frente

Muito bem. Declaro que, a partir da presente data, acabou a autopiedade e consequente autoindulgência. O que foi, foi. O que não foi, não foi. Mas o que será começa agora. Me aguentem.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Controle-se, mulher

Sei que é difícil resistir.

Mulheres possuem vocação natural para agradar a quem quer que seja. Nossa aparência é mais agradável, nossos cabelos são mais sedosos, nossa voz é mais doce, nossas mãos são mais macias. Parece que fomos feitas para isso, não?

Controle-se, mulher.

Coloque-se no lugar do outro. Toda mulher já teve aquele (ex-)namorado chatíssimo que ligava duzentas vezes por dia "só para ouvir a sua voz", que não a deixava abrir a porta do carro (e ficava ofendido quando você abria a porra da porta), que fazia questão de andar do lado "certo" da calçada (cavalheiro sempre no lado da rua, gente. Na falta de rua, cavalheiro à direita e dama à esquerda), que nunca a deixava pagar a conta, que lhe trazia flores a cada dois dias e bichos de pelúcia a cada semana, que deixava bilhetinhos para você encontrar ao longo do dia (na sua bolsa, na sua carteira, no seu carro, na sua gaveta de calcinhas, debaixo da pia...), que a buscava e levava para tudo quanto é lugar (inclusive, a surpreendia na porta da faculdade, com um buquê maravilhoso e e-nor-me de rosas colombianas vermelhas... justo no dia daquela cervejada épica com a galera... mas ele tinha planejado uma noite romântica no restaurante chique!) e que dizia tanto "eu te amo" que você chegava a se perguntar se faltava vocabulário para que o moço pudesse discorrer sobre assuntos um pouco mais interessantes.

Parece o cara perfeito, não? Ele certamente achava que estava fazendo tudo certo, que estava sendo romântico e tal. Às vezes a gente perde a noção. Às vezes também não sabe o que quer. Mas uma coisa é certa: o que vem fácil e vem em excesso é um saco.


E a máxima vale para os dois lados.

Da próxima vez que for tomada por uma vontade incontrolável de agradar o seu macho, controle-se, mulher. E agrade com moderação.

Não queira ser a ex-namorada-psicopata-maníaca-que-não-largava-do-meu-pé (sim, querida. Esse será seu apelido num futuro não tão distante se você continuar achando que ele quer ser agradado, cuidado, massageado e afofado em regime 24/7).

Lembra do seu ex-namorado que era um saco? Então...

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Two to tango

Não é exatamente nobre admitir que decidi tomar as aulas para vigiar o namorado, eu sei. Mas, veja bem... Não é que ele tenha entrado para o time de futebol ou começado a disputar racha em carros tunados... É tango, cacete. A dança sensual por excelência, na minha modesta opinião. Eu sempre quis fazer, mas acho que nunca tive a motivação certa. Ok. Aí está.

Motivações ridículas à parte, estou feliz de ter tomado a decisão de vigiá-lo, pois gostei muitíssimo da aula. E estava pensando que, fosse dez ou quinze anos atrás, eu simplesmente não conseguiria. Isso porque, como em toda dança, o homem conduz e a mulher é conduzida. E sempre achei difícil demais ser conduzida. E o medo de perder o controle? Como lidar com a minha própria ansiedade de não saber o que vai acontecer? Para onde isso vai?

Bem, estou tendo que aprender a perder o controle. A confiar no parceiro e a confiar em mim mesma. E acreditar que terei o equilíbrio para me mover com leveza e graça, não importando para onde sou levada.

Parece-me um ótimo aprendizado.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

And the winner is...

E Maomé escolheu a mesma montanha. 

Maomé escolhe a mesma montanha há cinco meses. A montanha era de outro profeta, mas Maomé não sabia. Aí a montanha mandou o outro profeta embora, mas não veio a Maomé. Maomé podia andar pela planície ou escolher outra montanha. Sim, podia. Mas aquela montanha era diferente. Maomé pirou. E sentou e esperou. Mas, como um profeta que se preze, Maomé cansou de esperar, pegou o carro e foi até a montanha. Estava Maomé já disposto a ir embora para caminhar numa planície. Ele então pegou seu cajado e seus parcos pertences. E a montanha vacilou. No vacilo, Maomé olhou para trás e não conseguiu ir embora. De novo.

http://fineartamerica.com/featured/pink-mended-broken-heart-carol-suzanne-niebuhr.html

Agora D. tem nome. E não é mais um não-namorado.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Filosofia de boteco III

Se a montanha não vem a Maomé, o que pode Maomé fazer?




Ou pegar o carro, ir até a porcaria da montanha e resolver o que tem que resolver. 


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Filosofia de boteco I

Um(a) parceiro(a) traz cores para o seu mundo. Mas se o seu mundo é feio, incompleto e bagunçado, as cores não servem para nada. Ele vai continuar feio, incompleto e bagunçado, só que colorido. Não. Não. Nenhuma melhoria aí. Você pintaria o seu apartamento  com cores über legais, mas cujos móveis estão caindo aos pedaços, a luz está cortada, o esgoto não funciona e não tem internet?! Não faz o menor sentido. O seu mundo tem que ser um lugar legal. Aí sim novas cores vão deixá-lo um lugar melhor. #fimdepapo