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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O cavalheirismo não morreu

Sabe que ontem eu saí com um grupo de amigos e, na hora de sentar, um deles puxou uma cadeira bem perto de onde eu estava. Eu, logicamente, dei a volta na mesa para sentar em outra cadeira. Ele, com toda a sua fineza, gritou:

"Aonde você vai, sua japa louca? Puxei aqui para você, cacete!"

Quem disse que o cavalheirismo morreu?



quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Patrícias

No meu bate-e-volta a Maceió conheci uma Patrícia e reconheci outra.

A primeira Patrícia é mineira, 32 anos, solteira, formada em Artes Dramáticas, trabalhando numa empresa de informática para pagar as contas (já que teatro mata mais de fome do que docência), pensando em fazer outra faculdade. Pedagogia, agora. E viajando sozinha pela primeira vez.

Até quinta-feira da semana passada, eu estava com invejinha das pessoas com a vida arrumada. Sabe aquela amiga que ama o emprego que tem, está em ascensão na carreira, tira várias férias ao ano, posta fotos no Caribe e dois meses depois na estação de esqui, malha, come tudo orgânico, vive bonita numa casa em condomínio fechado e ainda tem a família de comercial de Doriana? (Não me diga que não conhece essas pessoas. É só olhar no Facebook e você vai ver que a maioria dos seus amigos possui vidas perfeitas e só uma pequena parte - a sua, é claro - é cagada).

No meu roteiro original, eu esperava estar com a vida arrumada (o que quer que isso seja) aos 36 anos também.

Mas voltando à Patrícia, quando ela me disse que era a primeira vez viajando sozinha, o que me veio à mente na hora foi: "É muito bom, não é? Você vai ver. Vai viciar. Eu amo viajar sozinha."


Nos conhecemos no ônibus, a caminho de Maragogi. Ela me perguntou se eu estava viajando sozinha e eu disse que estava com amigos. "Cadê eles?", perguntou. Eu respondi "Não faço a menor ideia. Eu queria conhecer Maragogi, eles não." Então ela me perguntou se eu ia fazer o mergulho e eu disse que alugaria equipamento de snorkeling, mas que mergulho eu não faria (já fiz no passado e não me adaptei. Quase morri de dor no ouvido). A resposta dela: "Eu vou. Nunca mergulhei antes".

Além da Patrícia, conheci outras pessoas igualmente independentes, igualmente interessantes e igualmente perdidas, e me dei conta de que o roteiro das pessoas normalmente não é original. Eu sou aquela que queria ter uma família Doriana, mas também sou aquela que ama viajar sozinha e que pode largar os companheiros de viagem para fazer um passeio que eles não querem, sem cara feia ou ressentimento na hora da janta. 

Há muito tempo estou tentando saber o que eu quero. A sensação que tenho é a mesma que eu tive quando me vi adulta e o mundo se abriu diante dos meus olhos e as possibilidades eram tantas que parecia impossível escolher um só roteiro. Agora já se passaram todos esses anos e eu esperava que essa sensação de não ter chão sob os meus pés fosse desaparecendo com o tempo. Não desaparece.

Não sei para onde vou, nem sei o que quero. Não tenho Caribe ainda, mas de onde estou até sair a separação, posso pegar um ônibus e, em algumas horas, chegar neste lugar:





E por enquanto é assim que vai ser. Procurando a beleza dentro das possibilidades que se apresentam. E porque enquanto não sabemos para onde vamos, qualquer caminho é bom.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Investimento

E então eu desisti de investir em terra. Resolvi investir em tapete voador.

Quando investimos em terra, alguém pode vir e fazer um buraco. Ou te tomam a terra, assim, sem mais.

Mas tapete voador não. Você não precisa de chão para voar.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Âncoras

Com data marcada para zarpar e São Paulo expirando no prazo de validade, estou pensando no peso das minhas âncoras. Quantas delas são minhas de verdade? Quantas são da minha sociedade? Quantas são da minha família?

Somos este composto de coisas, lugares, pessoas e ideias.

E estava pensando que a mais paulistana das minhas coisas é esse medo absurdo de viver uma vida diferente. 

Paulistano vive reclamando da correria, do trânsito, do aluguel, da espera no restaurante, do chefe que liga às 19h34 do domingo exigindo aquele relatório, do estacionamento do shopping e da internet que nunca tem a velocidade pela qual você pagou. Mas acorda todo dia em cima da hora, enfia uma torrada goela abaixo enquanto entra no carro para pegar a Marginal, chega ao trabalho uma hora e meia depois, já estressadíssimo, mas cedo o suficiente para ganhar pontos com o chefe, enrola trinta minutos no Facebook, trabalha até o segurança avisar que vai fechar o prédio (se o prédio tiver esse privilégio) para ganhar pontos com o chefe, entra no carro, fica revoltado porque pega trânsito às 22h00, come alguma porcaria, acessa o e-mail e responde os que conseguir até umas duas horas da manhã (e fica todo orgulhoso ao saber que o chefe vai ver o horário de envio), desmaia de gravata no sofá mesmo enquanto tenta assistir algum seriado da moda para ter assunto com as poucas pessoas com quem conversa no café da empresa e logo começa tudo de novo. No seu momento de lazer, assim como todos os outros paulistanos, ele se enfia no carro com a sua família e vai para o shopping comprar tudo o que julga necessário para preencher o seu vazio, e acha normal esperar três horas para comer no restaurante que os colegas recomendaram. Tudo bem. Enquanto espera dá tempo de responder aqueles e-mails do trabalho e ler aquelas piadas no Facebook para smartphone. E a ordem de tudo está mantida.

Ao longo da minha não tão longa vida, descobri que eu não sou workaholic. Muita gente se espanta quando digo que prefiro trabalhar pouco e ganhar pouco a trabalhar muito e ganhar muito.

Preciso ter tempo livre para o meu ócio criativo. Para quem não sabe, além de escrever as bobagens aqui, eu também pinto, desenho, leio muito, danço e canto. Cultivo minhas amizades, saio bastante para comer fora, caminhar pela cidade, discutir coisas novas, testar jeitos diferentes de olhar o mundo, seja na companhia de outros, seja sozinha. Um tempo de solidão também é muito importante para mim. Preciso disso. Revejo meus conceitos sobre tudo de tempos em tempos e mantenho alguns e mudo outros.

Acho que a maior parte das pessoas é engolida pela vida e usa isso como desculpa para não pensar nela. E o pior é que são bem-sucedidas nisso e passam a vida como zumbis, sem ter conquistado nada além de bobagens materiais.

Não me isento disso não. Também vivo como zumbi a maior parte do tempo. Afinal, as contas chegam e tenho que pagar a fatura do cartão com todos os supérfluos que comprei no shopping para me sentir menos vazia. Mas eu luto contra isso, sabe? Minha saída de São Paulo é uma tentativa de uma vida diferente, com menos correria. Quem sabe eu não consigo achar minha missão ali? Quem sabe eu não consigo responder àquelas perguntas todas que me incomodam desde sempre? Quem sabe?

Eu não sei. Nunca sabemos. Mas acho que devemos ouvir as palavras dos mais velhos. Uma pessoa que respeito muito me disse essa semana: "Quando se é jovem como você, a vida é muito séria. Vocês levam tudo muito a sério. A vida é simples. Você anda para frente e, se tropeçar, levanta. Não leve tudo tão a sério. Viva mais e tenha menos medo. Quando estamos relaxados e descontraídos, além de cair menos, dói menos quando acontece. Se estamos tensos e inflexíveis, caímos mais e nos machucamos mais."

E esta me parece ser uma boa verdade.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Sonhos

"Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor." Johann Goethe (1749-1832)


Sou uma pessoa que morre todos os dias se não tiver um sonho e se não viver esse sonho. Eu tenho que seguir em frente até o sonho acabar. Se não é para frente, é para baixo. O meu lado escuro me envolve, me engole, me digere e eu morro.

Sonhos podem virar pesadelos. Mas aí eu arrumo outro sonho para perseguir. Sem sonho, eu morro.

Isso que sou não me basta. Essa carreira que tenho não é suficiente.  Essa vida que levo não me faz feliz. Tenho dúvidas se a cidade que me acolheu no nascimento e na minha vida até o momento ainda me cabe.

Lá vou eu para outra reviravolta na minha jornada.

Quando me separei e me vi só, pensei que seria o início de uma vida de independência. Sonhava em ter meu apartamento, em decorá-lo com cores vivas, ter um espaço para os meus livros e minhas gatas, pendurar minha rede cearense na varanda e ser capaz de dizer que não precisava de ninguém. E me vi com um salário ridículo, voltando a morar com os meus pais, a carreira estagnada e com um monte de sonhos destroçados.

Pensei que não tinha forças para me refazer. Morria de inveja das pessoas que conseguiam recomeçar. E não me dei conta de que toda a minha apatia derivava de um só componente: eu não sonhei com convicção. Meu sonho era fraco. Era supérfluo. Meu sonho nem era sonho de verdade.

Lutei sim. Persisti sim. Minha carreira encontrou um espaço onde eu conseguia pagar as minhas contas e isso me realizou por um tempo. Só que aí subi em um balão e olhei para mim mesma lá de cima. E vi que estava depositando o que achava que eram sonhos em um emprego. E essa não sou eu.

E as caixas da mudança ainda estão fechadas. Desde a minha separação, há 3 anos, que tenho caixas e caixas fechadas entulhando a casa dos meus pais. O que tem lá dentro? Nem eu sei.

Agora tenho um novo sonho. Ele vai me custar dinheiro, carreira, amigos, família e cidade natal. E é grande. Se é.

E vou ter que abrir aquelas caixas. Para fazer novas caixas, com novos sonhos. E, dentro de uma delas, vai a rede que comprei no Ceará.

Por enquanto, só tirei as telas e as tintas. E estou indo pintar um novo caminho. 


domingo, 25 de novembro de 2012

Medo


Já se perguntou o quanto já deixou de fazer por medo?


Receio é uma coisa. Olhar bem para os dois lados antes de atravessar a rua é receio. E isso precisamos ter. Deixar de cruzar a rua por medo é viver para sempre no mesmo quarteirão.

E o mundo é grande.

Chega de fazer historinhas trágicas na cabeça. Caiu, levanta. É assim. Tchau, medo. Estou indo fazer a minha história, porque sou eu quem manda nessa porra.

domingo, 4 de novembro de 2012

Esmola a um mendigo

Ninguém pode oferecer o que não tem. Às vezes esperamos coisas, gestos, atitudes de outros, mas acho que precisamos enfiar na cabeça que as pessoas possuem limitações. Tem gente que não tem dinheiro, tem gente que não tem coração e tem gente que não tem cérebro. E eu não quero pertencer à última categoria. Então chega de pedir esmola a mendigos.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Marcas

Às vezes me acontece isso de escrever um monte e deletar antes de postar. Fico levemente frustrada, mas depois penso que foi melhor assim. Nada que eu vá postar quando estou brava, chateada ou irritada pode ser bom.

A vantagem do blog ou do Facebook é que temos este tempo de escrever, despejar tudo ali, ler, reler e pensar antes de clicar no botão.

Seria ótimo se pudéssemos fazer isso na vida fora do computador também. 

Todas as nossas ações deixam marcas. Há um provérbio que diz que devemos escrever as coisas ruins na areia e as coisas boas em mármore. É. Devemos. Às vezes não conseguimos. Seja na areia, seja no mármore, deixamos marcas por aí. Algumas se apagam como pegadas na areia. Outras são sobrepostas como quando você se cansa daquela tatuagem que você fez aos dezesseis anos e já está toda feia e verde. Mas outras ficam e viram cicatrizes. Outras nunca cicatrizam.

Se perdoar é deixar que a cicatriz não te incomode mais, então que seja. Gostaria de ser mais nobre e tal, mas é bem difícil andar por aí com o abdômen aberto, segurando os intestinos dependurados, o sangue jorrando e dizendo que aquilo não te incomoda. Não sou vingativa, não faço planinhos malignos, mas tem coisa que demora para cicatrizar. E tem que respeitar, porra.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Transformação, ciclos e revoluções

Já devo ter falado sobre isso muitas vezes aqui, mas é tema recorrente. E falando em tema recorrente, vou dividir com vocês algo que elaborei em minha adolescência. =) 

Quando eu tinha uns quinze ou dezesseis anos, elaborei a Teoria da Espirologia. Exceto pelo nome ridículo, ainda hoje acredito que ela faz muito sentido. =) Como não é algo de profundidade relevante, acredito ser possível ser breve e concisa:

Introdução à Espirologia


Pensemos a linha do tempo como sendo de fato uma linha. Os eventos se sucedem, um após o outro, enquanto caminhamos (ou corremos, ou tropeçamos) por esta linha. Isso, a meu ver, é senso comum, na pior de suas conotações.

Como filósofa brilhante que eu era aos quinze anos, observei que na natureza os eventos não ocorrem em linhas em sua maioria, mas em ciclos. O dia e a noite são reflexos de um movimento de rotação de nosso planeta. Os anos são a formalização de uma revolução da Terra girando ao redor do Sol. Ainda que se pense a vida como uma linha, em nossa morte voltaremos ao solo como substâncias necessárias para a geração de novas vidas.

Comecei a observar o desenrolar de minha própria vida. Os acontecimentos iam e vinham em ciclos. Alguns mais curtos, outros mais longos. No entanto, quando o evento voltava, eu já não era a mesma pessoa. =) Assim, o círculo nunca se fecha. A vida caminha em espiral. Não em círculos e não em linhas. 

Às vezes pensamos que as oportunidades vão embora e não voltam nunca mais. Algumas são assim. O ciclo é maior do que a sua vida, só isso. Mas, em geral, elas voltam. E, se tudo der certo, elas vão te encontrar em um ponto diferente da espiral, porque você mudou, você evoluiu, você continuou andando para frente e não em círculos. E talvez você perceba que aquilo não era tão importante assim... Ou era, e vai ter outra oportunidade de agarrar aquilo.


Bom, toda essa divagação foi para falar de evolução.

Porque a vida caminha em espiral, evolução pessoal é uma grande questão para mim. E, vira e mexe, ela volta.

Como todo mundo, a gente sempre acha que as nossas questões são as questões humanas e universais. Mas não. A cada dia descubro que esta é uma questão minha e que muita gente não está nem aí. Fica patinando no lugar, andando em círculos. E é por isso que elas não tiveram o insight da espirologia na adolescência. Eu ficava pensando que as pessoas não tinham o insight porque não pensavam sobre isso, mas hoje vejo que podia ser por andar em círculos mesmo.

Para mim, é importante ter autoconhecimento. É importante ser uma pessoa melhor, mais equilibrada, mais evoluída, mais capaz de se adaptar às situações. Luto por isso todos os dias da minha vida e só dá para fazer isso de um jeito, a meu ver: sendo conservadora e aberta ao novo. Ao mesmo tempo.

Você elabora as suas experiências, pega o que ficou de bom, joga fora o que não lhe serve. Ao longo do tempo, suas convicções do que pode ser bom se consolidam e elas se tornam os seus valores. Mas isso não pode nos impedir de olhar o novo, de ouvir uma nova perspectiva, de ampliar horizontes, de considerar mudar o nosso conjunto de valores uma vez que tudo é dinâmico e qualquer radicalismo é burro.

Difícil?

É. Dá trabalho. E dói. Mas o caminho é interessante. E qual a graça de fazer trilhas e caminhos diferentes se só prestamos atenção no chão? Tem tanta coisa ao nosso redor, sabe?

sexta-feira, 16 de março de 2012

O sentido da vida

Buscar o sentido da vida é inerente ao ser humano. Afinal, é muito chato pensar que estamos aqui porque umas moléculas se juntaram e que um dia as larvas as comerão.

Digressões à parte, hoje penso que o sentido da vida é para a morte. Explico: acredito que nós morremos como vivemos.

Uma pessoa que vive para si, não pensa nos outros, não constroi laços, não compartilha nada, morre como viveu: sozinha. Quem vai contar sua história? E que história será contada? Uma pessoa que acumulou um monte de bens, mas não investiu nas relações pessoais, vai ter um caixão caro, uma vaga num cemitério chique e um funeral frio. E depois de enterrada, vai deixar parentes... brigando por herança. Quando tudo for partilhado, quem vai contar sua história e que história será contada?

Eu acho que o sentido da vida passa por aí. Essa é a pergunta que guia meus passos: vão contar minha história? E que história será contada quando eu partir? (seja na forma de espírito, de decomposição de matéria, para o paraíso, inferno ou purgatório, ou o que quer que seja).

Independentemente de religião ou crença, o ser humano deveria se preocupar mais com a sua história. Ninguém deveria querer ser um livro enfadonho ou um filme insípido.

A minha história tem a minha dose de aventura, minha dose de tragédia, minha dose de romance. A minha história tem erros e acertos. Quero que ela tenha mais acertos do que erros, mas é melhor errar e aprender do que nunca aprender. 

Saber se conhecer, saber suas limitações, saber seus erros, saber quando ser exigente e quando perdoar a si mesmo, tudo isso enriquece a nossa história. E cada coisa que aprendemos ajuda a sermos uma história melhor quando morrermos. Uma mais estruturada, mais inteligente, mais complexa. Uma boa história é contada e adaptada mil vezes. Uma história medíocre a gente lê no banheiro ou assiste e esquece, e sequer sabe o nome do diretor.

E aí o papo não tem mais nada a ver com religião, porque morrer, todo mundo morre.

E você? Como quer morrer?

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Um dia perfeito

Meu dia começou péssimo com água da chuva de ontem gotejando pelo teto do meu carro que era, até onde eu sabia, impermeável. Os semáforos  estavam embandeirados na avenida que preciso pegar e o trânsito estava parado como eu nunca tinha visto nos arredores da escola. Atrasei para a reunião que eu tinha cedo e, apesar de não ter levado bronca, fiquei chateada porque tinha mil coisas que eu queria conversar nesta reunião e não deu tempo. A primeira aula foi um caos e... blablabla

http://www.flickr.com/photos/52108144@N07/4886659389/
Poderia ficar aqui enumerando todos os fatos cotidianos que poderiam ter estragado o meu dia. Aliás, não conheço uma só pessoa que tenha tido um dia perfeito na vida, embora todas elas se lembrem de vários. Quer saber? Nós fazemos os dias perfeitos. Somos nós que escolhemos dar a devida importância ao carro mofando ou àquela amiga de quem você estava morrendo de saudade e com quem você conversou por meia-hora no final do dia.

Os problemas cotidianos existem e sempre existirão. Cansar-se para dar manutenção na sua vida é cotidiano. Eu, pelo menos, imagino que é para isso que serve dinheiro e energia, por exemplo. Se o meu carro está caindo aos pedaços, ótimo. Porque eu tenho um. Se meus alunos estavam eufóricos hoje, ótimo. Porque eu tenho alunos. Se o trânsito estava horroroso, ótimo. Porque eu escolhi continuar vivendo nesta cidade.

Quando fazemos escolhas, assumimos (ou deveríamos assumir) as responsabilidades que as acompanham, ora essa. Para quem nem assume e nem percebe, isso tem nome e é psicose.

Mas, olha só. Neste mesmo dia do carro alagado, conversei longamente com a minha amiga e combinamos de fazer alguma coisa no Carnaval (baratinha, né? Porque esse carro vai me custar uma grana que não tenho. Mas ficar de papo e ver um filme em casa sempre dá). No mesmo dia da reunião quase perdida, recebi uma notícia ótima de um primo muito querido. E no mesmo dia em que eu quase me matei para controlar uma classe eufórica pós-recreio, recebi uma ligação de alguém muito especial que só queria dizer que me ama. 

O carro, o trânsito, a aula... tudo isso é ordinário e faz parte do meu cotidiano. Será que vale ficar me lamentando por isso? Passo. Prefiro me alegrar com as pessoas que fazem a minha vidinha cotidiana e ordinária valer a pena. No final é isso. A vida é boa por causa das pessoas e das relações que estabelecemos com elas e não com as contas que temos que pagar para poder ter essas oportunidades.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Príncipes, princesas e piriguetes

Essas postagens que estão circulando por aí criticando as piriguetes são tão machistas que me causam asco. Em tempo, essa é a única e última vez que usarei o termo "piriguete".

Quer dizer que um cara pode andar na rua sem camisa que, no máximo, vai ser chamado de "pedreiro". Uma mulher que usa saia curta é piriguete. Qualquer cretino quer uma princesa rosa. Mas se é mulher e usa saia curta, ela não tem direito a querer seu príncipe (rosa?). O tal do príncipe rosa sai no Carnaval e pega todas (piriguetes, portanto), mas no resto do ano se faz de é um perfeito gentleman. Portanto, príncipe. E rosa. Se a princesa rosa sai no Carnaval (e nem precisar pegar todos os "príncipes"), não é princesa. É piriguete. Não importa o que é no resto do ano. Se o príncipe rosa pega uma piriguete e bota chifre na princesa rosa, ela tem que ir para a torre chorar e esperar, fazendo tricô ou bordado, até que o príncipe volte. No seu cavalo branco, é claro. Se ela se vingar, é piriguete. E ai dela se quiser um cavalo branco próprio!

Isso é retroceder na luta que as mulheres travaram (e travam) há décadas. Daí a dizer que ela "pediu para ser estuprada" é um pulo. E derivam daí frases visivelmente machistas como "para o homem é currículo, para a mulher é antecedente".

O que é ser piriguete, afinal de contas?

Uma vez me deram uma definição, dizendo que piriguete é aquela mulher oferecida que destrói casamentos. Veja bem, se o príncipe fosse tão príncipe assim, não existiriam piriguetes. Certo? 

Agora, se ser piriguete é usar o que bem entende, fazer o que bem entende, sem medo de julgamento da avó, dos machistas, enrustidos ou declarados, e das testemunhas de Jeová, então, autoproclamados "cavalheiros", me desculpem. Mas sou muito mais as piriguetes do que as "damas" que vocês estão pedindo. Corrijam-me se estou com a definição errada, por favor.

Eu tenho, além do cavalo branco próprio, a chave da porta da torre para sair quando bem entender. E aposto que se a sua mãe não tem, ela bem que queria ter.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Expectativas

Créditos da foto: Patrícia Arima
As pessoas são bem esquisitas. Às vezes dizem que você tem que acreditar para acontecer. Às vezes dizem que você precisa baixar suas expectativas para que sejam compatíveis com a realidade. Às vezes, ainda, dizem que você não deve ter nenhuma para não se frustrar.

Expectativas, perspectivas... Não consigo entender como é possível viver sem isso. (Estou correndo o risco de voltar ao papo dos zumbis. De novo.)

É claro que tenho expectativas. Não no sentido de ficar esperando cair do céu não. Mas, se eu invisto tempo, dinheiro, energia ou qualquer que seja o valor em questão, é óbvio que eu tenho expectativas.

Se dou o melhor de mim, espero o melhor do mundo. Se faço meia-boca, não espero grandes coisas. Se não faço esforço nenhum, o que vier é lucro. Simples assim. Minhas expectativas são ajustadas de acordo com o meu investimento. E não me contento com menos.


Não dá para ficar ouvindo lamúria de quem não investe nada, não arrisca nada e fica reclamando que não ganha nada. Então, não me venham com essa ladainha de não ter expectativa para não se frustrar. Isso é coisa de preguiçoso e de quem conta com a sorte. Sorte ajuda sim, mas você é responsável por buscá-la.



‎"Você nasceu no lar que precisava nascer, vestiu o corpo físico que merecia, mora onde melhor Deus te proporcionou, de acordo com o teu adiantamento.

Você possui os recursos financeiros coerentes com tuas necessidades... nem mais, nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas. 

Seu ambiente de trabalho é o que você elegeu espontaneamente para a sua realização. 
Teus parentes e amigos são as almas que você mesmo atraiu, com tua própria afinidade. 
Portanto, teu destino está constantemente sob teu controle. 
Você escolhe, recolhe, elege, atrai, busca, expulsa, modifica tudo aquilo que te rodeia a existência. 
Teus pensamentos e vontades são a chave de teus atos e atitudes. São as fontes de atração e repulsão na jornada da tua vivência. 
Não reclame, nem se faça de vítima. Antes de tudo, analisa e observa. 
A mudança está em tuas mãos. 
Reprograma tua meta, busca o bem e você viverá melhor. 
Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim." 

(Chico Xavier)


***

Para quem ainda não conhecia, essa na foto é a Bianca, a gata mais cão do mundo. Ela faz festa quando chego em casa, atende quando chamo, pede comida à mesa e até rosna de vez em quando. =)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

De folga, finalmente.



Nem acredito que este semestre acabou.

Quando aceitei a proposta da segunda escola, já sabia que seria puxado. Mas fui em frente. Passei de agosto a dezembro trabalhando 14h por dia.

Sou a prova viva de que quando resolvemos algumas coisas, e resolvemos de coração, o mundo conspira para nos ajudar.

Muitos se perguntaram se eu estava tentando ficar rica. Rica? Desculpe, mas qual a parte do "sou professora" você não entendeu?

Não trabalhei 14h por dia para ficar rica. Até porque o trabalho toma muito do nosso tempo para podermos ficar ricos. (Mas isso é assunto para outra postagem).

Trabalhei 14h por dia porque isso fazia parte de uma meta maior, de médio prazo. E que finalmente está se concretizando. Não sei se minha satisfação maior vem do fato de que as coisas estão acontecendo como planejei ou se vem do fato de que eu consegui sobreviver cada um dos passos que estabeleci. É a primeira vez na vida que consigo atingir alguma coisa de médio prazo que fui eu mesma quem decidiu!

Este semestre que passou foi exaustivo, mas arrisco dizer que foi o mais fascinante em toda a minha vida profissional.

Lembro-me de quando entrei na faculdade de Letras. Meu objetivo, ao prestar vestibular, era bem idiota: conseguir um diploma e melhorar meu salário de professora. E só para eu quebrar a cara, me apaixonei pelo curso. E a cada dia meu objetivo de conseguir o diploma se tornava mais e mais insignificante perto de todas as outras coisas que o curso me proporcionava.

E esse semestre foi semelhante. Quando aceitei a proposta de ser professora de educação infantil (pasme!), meu objetivo era conseguir uma remuneração um pouco melhor do que em escolas de idiomas, ganhar experiência com crianças e mostrar no meu currículo que eu era mais versátil do que parecia. 


Grata surpresa.

A professora de adolescentes e Business English se jogou de cabeça. Tirei o esmalte roxo e as unhas compridas, tirei o rosa do cabelo, tirei os brincos grandes, o relógio, os colares, abandonei o salto alto, vesti moletom, avental e tênis. Quando olhei para a foto dos meus alunos de dois anos, quase tive um ataque. E quando eles foram entrando na sala de aula, o pânico tomou conta de mim. Eu? Que nunca tive contato com crianças? Nem sobrinhos, nem primos, nada. E foi a experiência mais transformadora da minha vida.


Sou muito grata a todas as pessoas que trabalharam comigo nesta empreitada, que suportaram minhas crises de cansaço e stress extremo e, principalmente, sou grata às crianças, que me deram diariamente aquela dose de energia positiva para continuar trabalhando as 14h por dia. Quem diz que criança suga energia é porque nunca trabalhou com elas. Aprendi com esta experiência muito mais do que ensinei.


No final consegui tudo o que tinha como objetivo inicial - assim como eu consegui o diploma da USP lá no passado. Mas não há palavras para descrever o que ganhei a mais.


2011 começou bem mal, mas deu tempo de virar o jogo. Ufa. Agora é descansar para ter uma boa colheita em 2012 do que comecei a plantar em 2011. =)


Agora vocês já sabem por que andei sumida do blog.

terça-feira, 28 de junho de 2011

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Dia dos Namorados

Quando estamos com alguém, escolhemos estar com essa pessoa. Não só no dia do casamento, ao dizer "sim". Não só no dia do "quer namorar comigo?".

O "sim" é uma escolha diária.

O "sim" é uma atitude diária.

O amor? Ah, o amor.

Ele vem de todas as formas e de todos os tamanhos. Como é possível padronizar, pasteurizar, massificar o amor?

A tentativa de comercializar o amor é ridícula (e todo mundo cai nessa). E aí não vale nada. 

Eu desisto de racionalizar. Não há razão no amor. Para alguns, o amor é insano, enorme, romântico, poético e volátil. Para outros, é pé no chão, cheio de regras e leis. Porque a roupa é diferente a essência não existe?

O amor dos outros não é como o seu.

E nenhum é como os comerciais da televisão.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Mulher de fases, e não é a dos Raimundos

Passada a fase de "morro-de-dó-de-mim-mesma" e a fase de "que-se-dane-o-mundo-vou-me-fechar-na-minha-concha" e "que-se-dane-o-cartão-de-crédito-vou-estourar-mesmo", entrei numa fase sem nome ainda.

Passou a revolta. Repensei todas as minhas decisões. Aceitei que as pessoas erram e que errar é humano e que, ainda que às vezes eu pense ser uma espécie de semideusa que tem total controle sobre minha vida, ainda sou humana e, portanto, tenho o direito de errar e de perder o controle vez ou outra. E penso também que tudo o que fiz faz parte de quem sou e que não dá para se condenar por escolhas que fizemos lá em mil novecentos e nada. Na época pareciam ser as melhores escolhas. E às vezes escolhemos por pura falta de escolha. Vai saber se eu conseguiria ter feito diferente.

É isso, sabe? Em conversa com uma colega de trabalho tão perfeccionista quanto esta que vos fala, proferi a seguinte frase: "Às vezes 'bom' é ótimo e 'excelente' é péssimo. Dar conta de tudo mais ou menos é melhor do que excelência nisso ou aquilo e deixar todo o resto a desejar".

E com a vida é assim também. Tudo o que fiz foi achando que seria o melhor possível. E talvez tenha sido. Não tenho títulos, não tenho reconhecimento, não tenho certificados, não tenho bens, mas tenho uma coisa que achava que todo mundo tinha e descobri que a maior parte das pessoas não tem: vida.

Vivo em qualidade, quantidade e intensidade.

Quantas pessoas de 32 anos podem dizer que já participaram de concurso de merengue no Chile completamente bêbados e com a roupa suja de lama? Quantas podem dizer que tocaram para mais de 300 pessoas uma música própria numa banda de garagem (com toda a galera cantando o refrão junto)? Quantas podem dizer que prestaram vestibular para sete carreiras diferentes, passaram em todas e sortearam para saber qual cursar, aí não gostaram do curso e, mesmo tendo passado na USP, desistiram depois de dois anos e foram prestar vestibular de novo? Quantas tiveram a manha de caronar mais de 3600km em uma só viagem? E viajar para ficar uma semana na Chapada dos Guimarães e acabar ficando o mês? Quantas tiveram bolsa de iniciação científica da Fapesp? E quantas sentaram numa mesa de bar para tomar uma cerveja com o Iron Maiden? Quantas se perderam no metrô em Paris sem saber falar francês? Quantas socaram um ladrão? Quantos corações partidos? Quantas partidas? Quantos casaram de branco, num espartilho que impedia a respiração? E quantos tomaram a decisão de separar? Quantos fizeram poesia? Quantos trabalharam em mil empregos com mil funções diferentes (de negociar vendas milionárias até lavar prato e passear cachorro, não necessariamente nesta ordem)?

E quantos fizeram tudo isso na mesma vida?

Não sou melhor do que ninguém, mas enquanto o povo estava tirando certificado, acumulando bens e se batendo por dinheiro reconhecimento, eu estava vivendo, fazendo coisas, me tornando uma pessoa mais interessante.

Agora vou correr atrás do prejuízo e tentar arrumar títulos e bens. Mas ó: eu fiz um montão de coisas. Não deixei para fazer na aposentadoria (porque acho que viver com o objetivo de se aposentar é muito podre). E vou continuar fazendo coisas, sabe? Aula de tango, enfim. Não tenho certificado de nenhuma das coisas que fiz, mas certamente tenho histórias para contar...

segunda-feira, 21 de março de 2011

Crítica

Quando estava ainda na faculdade, fiz Iniciação Científica. Trabalhei com um orientador que não elogia. Era crítica depois de crítica. E ele era grosso mesmo. Chegou a amassar e jogar meu projeto no lixo, na minha frente, mais de uma vez. Mas me mantive firme e, depois de três meses enfiada na biblioteca, consegui rascunhar alguma coisa minimamente aceitável, nas palavras dele.

No decorrer do trabalho, a dinâmica continuou a mesma. Isso aqui está um lixo. Isso está uma droga. Isso não faz sentido. Isso isso, isso aquilo.

Até que, num belo dia, conheci um de seus outros orientandos. Sua saudação foi "Finalmente estou conhecendo a famosa Patrícia!". Minha reação foi de total surpresa. "Famosa"? Ele continuou, dizendo que todo o grupo de orientandos recebeu uma mensagem de email com o meu projeto em anexo, em que o nosso orientador se rasgava em elogios e dizia que aquilo deveria ser tomado como um exemplo.

Não sei se deveria ter me sentido lisonjeada, mas o fato é que me senti traída. E, quando o confrontei, ele me justificou dizendo que um aluno elogiado é um aluno conformado. Que um aluno só anda para frente sob crítica. Entendi sua posição, mas ao longo dos meses minha motivação foi murchando. Eu me sentia um lixo, um fracasso total, não tinha mais vontade de prosseguir na pesquisa. Qualquer esforço meu seria em vão, porque meu trabalho nunca estaria à altura. Quando terminei o relatório final, tinha a nítida sensação de que poderia ter feito algo muito melhor.

Essa luta por perfeição é uma luta perdida, na minha opinião. Acho que sim, devemos sempre tentar ir para frente. E sim, a crítica pode ajudar a impulsionar alguém que está sentado e acomodado. Mas ninguém vive de crítica.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Ajuste de prioridades


Há cerca de seis meses tive um conversa interessante com uma pessoa que mal chega a ser um conhecido. Esta pessoa acompanhava o amigo com quem eu fui almoçar. Mal sabe ela o impacto que teve em minha vida.


Na época, confesso que achei engraçado. Adotei como experimento e o resultado está sendo fantástico.

A frase impactante foi algo do tipo: "Todos os dias eu jogo meia-hora de videogame."

A reação racional foi: "Ah, que folga! Se eu tivesse meia-hora para jogar videogame todos os dias, seria um privilegiado."

E aí aconteceu a mágica. Ele disse: "Bom, depende da sua prioridade. A minha é jogar videogame. Não é fazer freelance, nem hora extra. Se tiver serviço, eu vou fazer com o saco e o tempo que me restar depois de jogar minha meia-hora de videogame."

Normalmente fazemos o caminho inverso. Nos entupimos de trabalho e, se sobrar algum tempo livre (o que é raro), pensamos no que fazer. (Mas somos pouco criativos e acabamos assistindo televisão mesmo).

O mesmo se aplica a finanças. Aprendi a me organizar financeiramente invertendo a ordem das coisas. Assim que recebo, aplico uma parte. E eu que me vire para viver com o resto. Se eu viver o mês e deixar para aplicar o que sobrar, nunca sobra nada (e às vezes ainda termino devendo).

Foi genial ver alguém aplicar o mesmo princípio das minhas finanças, só que em outro campo e de um jeito inusitado. É importante notar que não se trata de um ato extremamente ambicioso. Meia-hora de videogame. Pronto. Pode ser meia-hora de qualquer coisa. Não é nada ambicioso ou ousado demais que não possamos gerenciar. O dia tem 24h, dizem por aí. Trabalhamos umas 10h ou 12h (privilegiados trabalham menos) e passamos 3h nos locomovendo entre trabalho-casa (privilegiados passam menos tempo). A matemática não é difícil. Sendo otimista, 24 - 10 - 3 = 11.

Nestas onze horas vamos colocar o tempo de sono, o banho, refeições, manter a casa arrumada e limpa, cuidar dos animais de estimação, manter uma vida social mínima (conversar com pessoas que moram com você, atualizar redes sociais, etc.) e... freelances e horas extras e preparação para trabalhar no dia seguinte.

Em geral, o que acontece é que, para jogar a meia-hora de videogame tiramos essa meia-hora do sono. E aí ficamos achando que é privilégio o cara jogar todos os dias. Não é. Ele só trocou. Ao invés de tirar do sono, ele tirou do trabalho.

Já faz muito tempo que não tenho qualquer tipo de hobby. (Me desculpe quem acha que assistir televisão, ler um livro ou jogar videogame é hobby. Para mim, isso é passatempo. Hobby, na minha opinião, é algo que envolve criatividade, de alguma forma. É algo que a gente faz ativamente. Daí o nome atividade.) E, ao organizar minha agenda esse ano, pensei que vou ter pelo menos uma atividade que não seja o trabalho. No caso, está sendo o tango (que, aliás, estou adorando). Na quarta-feira, naquele horário, não dou aula, não dou consultoria, não faço tradução, não vendo minha alma.

A grana apertou sim, é claro. Faz diferença. Além de não estar recebendo naquele horário, ainda estou pagando! Mas, hoje, só consigo pensar: "Como foi que consegui viver tanto tempo para o trabalho e somente para o trabalho?"

Estou empolgada. Queria fazer tantos outros cursos! Ourivesaria, cerâmica, canto, academia... Mas aí penso na meia-hora de videogame. Ele consegue a meia-hora justamente porque é meia-hora, e não três ou doze. Uma coisa de cada vez. Vai demorar mais para eu comprar o apartamento, mas vou ter menos cabelos brancos quando a hora chegar.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Um mês e meio depois

O grande problema de todos os vícios é a lavagem cerebral a que somos submetidos todos os dias de nossas vidas. 

Parar de fumar é fácil. Fala-se de vício químico e o escambau. Olha, todas as noites o fumante fica suas oito horas sem cigarro. (Tem aqueles que acordam no meio da noite para fumar, mas, mesmo esses, ficam, digamos, quatro horas sem cigarro, ok?) Se o vício fosse realmente somente químico, acho que conseguiríamos ficar as mesmas oito (ou quatro) horas sem fumar durante o dia também, não conseguiríamos? Tente. (Ou vão dizer que o sono fabrica nicotina?)

Como posso crer em um sistema que me diz para parar de fumar e reforça em cada cena do cotidiano o quanto o cigarro acalma nos momentos de estresse, alegra nas festas, traz vida ao momento do ócio, ajuda a concentrar, socializa o ser humano, ajuda na digestão e promove quase outro orgasmo se acontecer depois do sexo? Olha a foto aí do lado, gente. Não dá, né?

Quer um motivo para parar de fumar? Esqueça a saúde, esqueça a lei antifumo, esqueça o fedor, esqueça tudo isso. Nada disso me fez parar. Só me fez estressar mais e querer fumar mais. Se quiser parar, pare porque você não aceita mais a lavagem cerebral. Pare porque você se recusa a ser manipulado. Não pela nicotina, mas pela lavagem cerebral. Só por isso.

Pior do que o cigarro são as revistas femininas. Mas isso é assunto para outro post.


P.S.: Depois de tantos anos dando aula em escolas de idiomas eu sou obrigada a saber disso: happy Valentine's Day (para quem está fora ou para quem é de fora).


P.P.S.: Quem ainda não foi ver "Cisne Negro" (Black Swan), vá! Com certeza o melhor filme que vi nos últimos tempos. Até a atuação da Natalie Portman me agradou - algo absolutamente inesperado.