Ninguém pode oferecer o que não tem. Às vezes esperamos coisas, gestos, atitudes de outros, mas acho que precisamos enfiar na cabeça que as pessoas possuem limitações. Tem gente que não tem dinheiro, tem gente que não tem coração e tem gente que não tem cérebro. E eu não quero pertencer à última categoria. Então chega de pedir esmola a mendigos.
pl.n. Miscellaneous items, remnants, or pieces. The American Heritage® Dictionary of the English Language, Fourth Edition copyright ©2000 by Houghton Mifflin Company. All rights reserved.
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domingo, 4 de novembro de 2012
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Marcas
Às vezes me acontece isso de escrever um monte e deletar antes de postar. Fico levemente frustrada, mas depois penso que foi melhor assim. Nada que eu vá postar quando estou brava, chateada ou irritada pode ser bom.
A vantagem do blog ou do Facebook é que temos este tempo de escrever, despejar tudo ali, ler, reler e pensar antes de clicar no botão.
Seria ótimo se pudéssemos fazer isso na vida fora do computador também.
Todas as nossas ações deixam marcas. Há um provérbio que diz que devemos escrever as coisas ruins na areia e as coisas boas em mármore. É. Devemos. Às vezes não conseguimos. Seja na areia, seja no mármore, deixamos marcas por aí. Algumas se apagam como pegadas na areia. Outras são sobrepostas como quando você se cansa daquela tatuagem que você fez aos dezesseis anos e já está toda feia e verde. Mas outras ficam e viram cicatrizes. Outras nunca cicatrizam.
Se perdoar é deixar que a cicatriz não te incomode mais, então que seja. Gostaria de ser mais nobre e tal, mas é bem difícil andar por aí com o abdômen aberto, segurando os intestinos dependurados, o sangue jorrando e dizendo que aquilo não te incomoda. Não sou vingativa, não faço planinhos malignos, mas tem coisa que demora para cicatrizar. E tem que respeitar, porra.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Momento perua
Como não tenho nada profundo, poético, otimista ou mesmo interessante para contar, vou mostrar o meu lado fútil, superficial, mulherzinha e "phynno" e listar meus produtos favoritos. Quando tenho grana (e/ou amiga/cunhada/irmão voltando do exterior), estes são meus favoritos de todos os tempos:
Apesar de não ser branquela, minha pele mancha muito facilmente com o sol. Passo todos os dias, religiosamente. Textura perfeita (para pele mista), e não deixa a pele brilhante.
Base Líquida FPS 15 Natura Una - Bege Médio:
Esqueça M.A.C.. Esta é a melhor base que já usei na vida. Não vinca, não derrete, tem cheiro bom, esconde as imperfeições, mas a sensação é de não estar usando maquiagem. Perfeita.
Liquid Eye Liner M.A.C.
O aplicador mais firme ajuda até as mais descoordenadas (a.k.a. eu) a conseguir traços relativamente decentes.
Batom Tinted Lip Spa - Sake - NYX
Batom mágico para pessoas com lábios muito ressecados. Extremamente cremoso (tanto que chega a ser um pouco difícil aplicar) e com substâncias de tratamento (whatever they are, they work). As cores são todas bem básicas e discretas (cor de boca, nude etc.) e a cobertura é translúcida.
High Definition Lashes - Clinique
Tem aplicador de escovinha de um lado e pente do outro. A escovinha deixa os cílios enormes, o pente separa os cílios e tira aquelas bolotas medonhas. Não borra e não derrete, mas é um saco para tirar.
Soft Blush Make B - Rosa Diurno - O Boticário
Gosto da aplicação prática e da cor. Apesar de ser rosa na embalagem, no rosto fica bem discreto e tem um leve brilho.
Shampoo Verveine - L'Occitane
O melhor produto que já encostou nos meus cabelos EVER. Tira a oleosidade da raiz e não resseca. Perfeito para quem lava os cabelos todos os dias.
Creme para as mãos Karité - L'Occitane
O mais poderoso e maravilhoso que já usei. Um oásis para quem trabalha com giz. Para quem não gosta de coisas muito perfumadas, esse quase não tem cheiro e dura bastante.
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Perfume Amor Amor - Cacharel
Adoro para o dia, para a noite, para tudo.
Entre outros favoritos, tenho o demaquilante para a área dos olhos Contém 1g (esse nem é tão caro e é muito bom) e para o resto do rosto tiro a maquiagem com demaquilante da linha Chronos (Haja Chronos para aguentar tanta maquiagem). Minhas sombras favoritas são NYX (a cor que está no potinho é a cor que fica na cara).
Se alguém aí estiver indo para o exterior, tenho encomendinhas a fazer! =)
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
TPM: você está fazendo isso errado
Se você não sofre de TPM, mas sim com a TPM alheia, esse curso busca abordar de maneira prática técnicas que podem ajudá-lo a sobreviver neste período tão peculiar do mês da fêmea.
AVISO: Artigos sobre o assunto estão pela internet em abundância. Se quiser buscar algo com bases científicas, não é aqui.
![]() |
| damnitshithappensallthetime.blogspot.com |
Começaremos nosso curso expresso com a parte mais fácil.
Certas frases (e suas variações) podem levar ao óbito ou amputação de membros do enunciador, dependendo da força física e armas em potencial (por exemplo, facas, martelos, móveis em geral, motosserras, artigos de decoração, canetas, colheres, lenços etc.) à disposição de sua interlocutora.
Veja abaixo como uma mulher na TPM responde (ainda que apenas mentalmente) às seguintes frases:
"Amorzinho, sei que está agindo assim porque está na TPM"
Não venha culpar a TPM. A culpa é TODA SUA.
"Essa (roupa/maquiagem/corte de cabelo/sapato) não ficou bem em você"
Pronto. Agora, além de gorda, eu sou feia.
"Me empresta o controle remoto para eu dar uma olhadinha no futebol?"
Só se você me emprestar a calibre 12 para eu estourar o seu crânio enquanto faz isso.
"Vou sair com (inserir nome do amigo, ou pior, da amiga, aqui) hoje à noite"
E vai me largar aqui, sozinha?! Que espécie de insensível é você!? Aliás, pensando melhor, vá. E não volte nunca mais.
"O que tem para comer?"
Depende do que VOCÊ vai fazer.
"Esse (filme/peça/passeio/restaurante) que você escolheu não é muito legal"
Então escolha você um melhor da próxima vez ao invés de dizer "tanto faz". Seu frouxo.
A TPM é uma espécie de filtro. Tudo o que você disser e fizer será interpretado pelo lado mais negativo possível. Deixo para os cientistas explicarem por que isso acontece. Só posso dizer que acontece.
Agora vamos à parte difícil. Como fazer isso certo:
- Deixe chocolates à disposição, mas jamais diga algo do tipo "Aqui um chocolatinho para a sua TPM".
- Não, absolutamente não ao sarcasmo e à ironia.
- Que se dane a inteligência. Mulé é bicho burro. Passa a vida inteira estudando e investindo em atividades para se tornar alguém mais interessante, mas, no fundo, só quer ouvir que está bonita.
- Não fale muito.
- Não fique em silêncio.
| freestockphoto.biz |
- Não fique muito perto.
- Não fique muito longe.
- Não faça barulhos irritantes (isso inclui chupar os dentes, fungar, mastigar ou respirar).
- Não se mexa muito.
- Não fique muito parado.
Viu como é fácil? =)
Agora, falando sério, uma coisa que ajuda na TPM é exercício físico. Diminui as dores, aumenta a disposição, melhora o humor e ainda serve de válvula de escape para possíveis indignações descabidas. Ainda não achei nada melhor do que o combo atividade aeróbica (regular, tá? Uma vez por mês só não dá nada ¬¬) + ibuprofeno + chocolate.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Mulher de fases, e não é a dos Raimundos
Passada a fase de "morro-de-dó-de-mim-mesma" e a fase de "que-se-dane-o-mundo-vou-me-fechar-na-minha-concha" e "que-se-dane-o-cartão-de-crédito-vou-estourar-mesmo", entrei numa fase sem nome ainda.
Passou a revolta. Repensei todas as minhas decisões. Aceitei que as pessoas erram e que errar é humano e que, ainda que às vezes eu pense ser uma espécie de semideusa que tem total controle sobre minha vida, ainda sou humana e, portanto, tenho o direito de errar e de perder o controle vez ou outra. E penso também que tudo o que fiz faz parte de quem sou e que não dá para se condenar por escolhas que fizemos lá em mil novecentos e nada. Na época pareciam ser as melhores escolhas. E às vezes escolhemos por pura falta de escolha. Vai saber se eu conseguiria ter feito diferente.
É isso, sabe? Em conversa com uma colega de trabalho tão perfeccionista quanto esta que vos fala, proferi a seguinte frase: "Às vezes 'bom' é ótimo e 'excelente' é péssimo. Dar conta de tudo mais ou menos é melhor do que excelência nisso ou aquilo e deixar todo o resto a desejar".
E com a vida é assim também. Tudo o que fiz foi achando que seria o melhor possível. E talvez tenha sido. Não tenho títulos, não tenho reconhecimento, não tenho certificados, não tenho bens, mas tenho uma coisa que achava que todo mundo tinha e descobri que a maior parte das pessoas não tem: vida.
Vivo em qualidade, quantidade e intensidade.
Quantas pessoas de 32 anos podem dizer que já participaram de concurso de merengue no Chile completamente bêbados e com a roupa suja de lama? Quantas podem dizer que tocaram para mais de 300 pessoas uma música própria numa banda de garagem (com toda a galera cantando o refrão junto)? Quantas podem dizer que prestaram vestibular para sete carreiras diferentes, passaram em todas e sortearam para saber qual cursar, aí não gostaram do curso e, mesmo tendo passado na USP, desistiram depois de dois anos e foram prestar vestibular de novo? Quantas tiveram a manha de caronar mais de 3600km em uma só viagem? E viajar para ficar uma semana na Chapada dos Guimarães e acabar ficando o mês? Quantas tiveram bolsa de iniciação científica da Fapesp? E quantas sentaram numa mesa de bar para tomar uma cerveja com o Iron Maiden? Quantas se perderam no metrô em Paris sem saber falar francês? Quantas socaram um ladrão? Quantos corações partidos? Quantas partidas? Quantos casaram de branco, num espartilho que impedia a respiração? E quantos tomaram a decisão de separar? Quantos fizeram poesia? Quantos trabalharam em mil empregos com mil funções diferentes (de negociar vendas milionárias até lavar prato e passear cachorro, não necessariamente nesta ordem)?
E quantos fizeram tudo isso na mesma vida?
Não sou melhor do que ninguém, mas enquanto o povo estava tirando certificado, acumulando bens e se batendo por dinheiro reconhecimento, eu estava vivendo, fazendo coisas, me tornando uma pessoa mais interessante.
Agora vou correr atrás do prejuízo e tentar arrumar títulos e bens. Mas ó: eu fiz um montão de coisas. Não deixei para fazer na aposentadoria (porque acho que viver com o objetivo de se aposentar é muito podre). E vou continuar fazendo coisas, sabe? Aula de tango, enfim. Não tenho certificado de nenhuma das coisas que fiz, mas certamente tenho histórias para contar...
quarta-feira, 23 de março de 2011
Daqui pra frente
Muito bem. Declaro que, a partir da presente data, acabou a autopiedade e consequente autoindulgência. O que foi, foi. O que não foi, não foi. Mas o que será começa agora. Me aguentem.
segunda-feira, 21 de março de 2011
Crítica
Quando estava ainda na faculdade, fiz Iniciação Científica. Trabalhei com um orientador que não elogia. Era crítica depois de crítica. E ele era grosso mesmo. Chegou a amassar e jogar meu projeto no lixo, na minha frente, mais de uma vez. Mas me mantive firme e, depois de três meses enfiada na biblioteca, consegui rascunhar alguma coisa minimamente aceitável, nas palavras dele.
No decorrer do trabalho, a dinâmica continuou a mesma. Isso aqui está um lixo. Isso está uma droga. Isso não faz sentido. Isso isso, isso aquilo.
Até que, num belo dia, conheci um de seus outros orientandos. Sua saudação foi "Finalmente estou conhecendo a famosa Patrícia!". Minha reação foi de total surpresa. "Famosa"? Ele continuou, dizendo que todo o grupo de orientandos recebeu uma mensagem de email com o meu projeto em anexo, em que o nosso orientador se rasgava em elogios e dizia que aquilo deveria ser tomado como um exemplo.
Não sei se deveria ter me sentido lisonjeada, mas o fato é que me senti traída. E, quando o confrontei, ele me justificou dizendo que um aluno elogiado é um aluno conformado. Que um aluno só anda para frente sob crítica. Entendi sua posição, mas ao longo dos meses minha motivação foi murchando. Eu me sentia um lixo, um fracasso total, não tinha mais vontade de prosseguir na pesquisa. Qualquer esforço meu seria em vão, porque meu trabalho nunca estaria à altura. Quando terminei o relatório final, tinha a nítida sensação de que poderia ter feito algo muito melhor.
Essa luta por perfeição é uma luta perdida, na minha opinião. Acho que sim, devemos sempre tentar ir para frente. E sim, a crítica pode ajudar a impulsionar alguém que está sentado e acomodado. Mas ninguém vive só de crítica.
segunda-feira, 14 de março de 2011
Fracasso
Tem dias em que os nossos fracassos pesam mais do que deveriam.
Pode ser ainda conseqüência da dengue (sim, passei o Carnaval com dengue. E eu achando que meu maior problema ia ser o samba). Pode ser o fato de meu ex-marido ter vindo me procurar para saber se pode solicitar a conversão da separação judicial em divórcio e eu não ter um puto de um real para poder pagar um advogado e resolver essa merda de uma vez por todas. E, falando nela, também pode ser a puta falta de grana que me persegue desde o início do ano e que deveria ser temporária, mas não está sendo. Pode ser o meu olhar para trás e ver que não fiz nada do que esperava ter feito da minha vida. Eu deixei minha carreira de lado porque resolvi me casar e ter filhos. Não fiz nem uma coisa nem outra e nem outra. E agora eu arrumo vontade para voltar a estudar? Arrumo tempo e disposição e dinheiro para isso?
Sabe... Estava pensando nas pessoas que conseguem tirar forças do além para recomeçar aos quarenta, aos sessenta... Como pode alguém não ter forças para recomeçar aos trinta e dois? Não pode. Eu sei que passa. Tem que passar. É inadmissível não passar. Mulher tem que ser forte, independente e o caralho, não tem? Mas hoje, só hoje, vou terminar o dia morrendo de dó de mim mesma, com uma xícara de chá COM açúcar, e esperar que amanhã seja um dia melhor.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Two to tango
Não é exatamente nobre admitir que decidi tomar as aulas para vigiar o namorado, eu sei. Mas, veja bem... Não é que ele tenha entrado para o time de futebol ou começado a disputar racha em carros tunados... É tango, cacete. A dança sensual por excelência, na minha modesta opinião. Eu sempre quis fazer, mas acho que nunca tive a motivação certa. Ok. Aí está.
Motivações ridículas à parte, estou feliz de ter tomado a decisão de vigiá-lo, pois gostei muitíssimo da aula. E estava pensando que, fosse dez ou quinze anos atrás, eu simplesmente não conseguiria. Isso porque, como em toda dança, o homem conduz e a mulher é conduzida. E sempre achei difícil demais ser conduzida. E o medo de perder o controle? Como lidar com a minha própria ansiedade de não saber o que vai acontecer? Para onde isso vai?
Bem, estou tendo que aprender a perder o controle. A confiar no parceiro e a confiar em mim mesma. E acreditar que terei o equilíbrio para me mover com leveza e graça, não importando para onde sou levada.
Parece-me um ótimo aprendizado.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Caraminholas
Curso durante o dia, aulas à noite, preparação de aulas de madrugada e todas as outras atividades esmagadas antes das 9 da manhã. Essa é a minha semana que vem.
Pelo menos não perco tempo caraminholando coisas que não há por que caraminholar.
Sabedoria milenar patricística: Não adianta ficar caraminholando sobre todas as coisas que você não pode fazer diante da situação. Se a solução de um problema não depende de uma ação sua, então você não está diante de um problema, mas sim, de um fato. Então, para que perder tempo e energia pensando nos "e se"?
Pro inferno com "e se". "E se" nada.
domingo, 9 de janeiro de 2011
É hoje
Sinto o frio na barriga ante a expectativa do reencontro... De unhas feitas, preocupada se o cabelo vai agradar o homem, depilação em dia, maquiagem leve e salto médio (nem ousada, nem recatada) e um sorriso guardado, reservado, cativado, há dias... somente para recebê-lo quando retornar de viagem... Olho o relógio de hora em hora. Não quero me atrasar. Quando ele chegar em casa, vou tirar seus sapatos e massagear seus pés. Se eu soubesse cozinhar, cozinharia. Como não sei, depois que ele tomar um banho relaxante, vou perguntar se ele prefere comer fora ou pedir uma pizza. Mas se me perguntar, eu já estava vestida daquele jeito (em casa?!), e não me custava nada pegá-lo no aeroporto. Era meu caminho mesmo (pra onde?!). O sorriso? Bem... Esse é o meu sorriso de todos os dias. Ele é que não vê. Como se todos os dias fossem tão extraordinariamente belos como o dia em que ele retorna após o maior hiato que já se passou entre nós em nosso não-relacionamento.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Proclamação da Independência
Não errei de feriado, não.
Mas, declaro, a partir de agora, minha independência de um caso tórrido com o deus do sexo que me deixou chorando no ouvido das minhas amigas (parafraseando minha amiga Olivia). Amigos também, no caso.
Pronto. Isso é o que todos esperavam que eu dissesse.
Agora a verdade: A vida ficou uma merda. Mesmo com um monte de nicotina dentro de mim, o vazio continua lá. A foto saiu da carteira e foi para a caixa do esquecimento. Mas a caixa do esquecimento não é o lixo, onde todos os ex foram parar, por exemplo. Ainda não consigo controlar as disparadas do coração quando o telefone toca. Ainda fico na vaga esperança de que ele ligue, mande mensagem, apareça na minha porta, enquanto tento me convencer de que ele não é o cara. Não deletei as fotos do feriado que passamos juntos, nem o bloqueei no telefone, no MSN, no Facebook... Ainda não consegui preparar as aulas que tinha para preparar, traduzir o dicionário que tinha para traduzir, nem fazer as unhas. Não comi nem dormi direito. Mas comi uns chocolates. Uns vários.
E me dei conta de que, apesar de tudo, ele é tudo o que desejei quando me separei:

Queria sentir frio na barriga.

Queria longing and yearning.
Queria suor e lágrimas, céu e inferno.
Queria não ter que dar satisfação de nada, nem cobrar, nem nenhuma responsabilidade de namoros quadrados e tradicionais em que as pessoas namoram como se estivessem casadas. Cheguei a dizer que "devo ter nascido para ser a outra", porque a mulher é quem fica com a parte de lavar as cuecas e a amante fica com a parte boa e sem nenhum tipo de pressão. *bullshit*
Queria cueca só em cima do criado-mudo. Não dentro.
Já diziam os sábios: "cuidado com o que deseja."
Mas mudei de ideia, tá?
Minha breve vida de pós-separada me ensinou algumas coisas:
1) Há dezenas de pessoas que querem me comer;
2) Grande bosta.
Loneliness is a bitch, mas se é que isso é possível, meus padrões acabam de subir a níveis inimagináveis.
Me aguentem.
domingo, 14 de novembro de 2010
Versão resumida da novela da minha vida pessoal recente
Essa com certeza vai para o meu livro (estou escrevendo o tal romance, gente!).
Não sou de compartilhar muita coisa pessoal (tão pessoal assim) por aqui, mas acho que cresci tanto com esse capítulo da minha vida que achei que vale a pena.
Há alguns meses comecei a sair com D... Sabe aquela coisa arrebatadora? Incontrolável? Doente até? Então... Quando achei que não tinha mais idade para viver assim, me aparece o D. na vida.
Prelúdio
Sabe aquele cara, que você achava gatinho láááá dos tempos da faculdade? Nos reencontramos e começamos a sair. O cara é perfeito. Atende a todos os meus critérios. Praticamente um gay. Bonito, inteligente, culto, atencioso, o sexo é maravilhoso, enfim. Meu número. Tudo lindo.
Capítulo I - "Eu não estou apaixonado"
Ouvir isso depois de ser tratada como uma rainha semanas a fio é bem bizarro, mas eu ouvi. Fiquei puta. Em circunstâncias normais, eu iria para casa, me fecharia no quarto e dormiria com o meu orgulho. Mas era o D. Então enchi a cara e chutei a porta dele às 4 da manhã, completamente bêbada, e fui tirar satisfação. Mandei olhar na minha cara e dizer que não gosta de mim. Ele não disse. O capítulo acabou.
Capítulo II - "Quem é a outra mulher com quem você sai quando não está comigo?"
Eu nunca, NUNCA, N - U - N - C - A fui do tipo que fica encanada se o meu cara está saindo com outras pessoas. Minha relação com a traição é outra. Acho que a traição é consequência de um problema muito maior que está corroendo o relacionamento. Não deixo a coisa chegar no ponto da traição antes de longuíssimas DRs (embora eu odeie DRs), mas enfim. Cada casal com os seus problemas. De qualquer maneira, depois de um programa super namoradinhos em que ele conheceu alguns dos meus amigos, me deu um negócio de perguntar "Quem é a outra mulher com quem você sai quando não está comigo?". E ouvi que eu era a outra.Capítulo III - Até mais
Ser colocada num vértice de um triângulo sem conhecimento de causa é muito trash. Até mais.
Capítulo IV - Eu não consigo
E eu consegui não atender os telefonemas? Era o D.! Lembra da parte do incontrolável e doentio? Cheguei a procurar todo tipo de desculpa para achar vantagem em ser a outra. Se é para sofrer, a gente sofre. Se é para sangrar, a gente sangra. E, mesmo sabendo que aquilo não era certo, continuei não conseguindo não atender os telefonemas.
Eis que nem terminei de ler o livro. Mas as coisas ficaram claras. Gosto do D. e gosto até demais para o meu gosto. E, mesmo vivendo essa coisa maluca e intensa que tem sido, fiz o que tinha que fazer. Tão logo tive clareza do que queria, a atitude certa me veio imediatamente à mente. E, por mais difícil que tenha sido, hoje foi o dia em que coloquei em prática o que não consegui antes porque as coisas não estavam claras. O livro diz para trabalharmos com a hipótese de ele não estar tão afim de você. E, olha, pode ser que não esteja mesmo. Até então, deixei D. confortável na situação. E agora que botei na parede, vou saber se o medo de sair do relacionamento estagnado é maior do que a vontade de ficar comigo. E aí vou saber se ele estava na minha ou não. Afinal, um homem prefere perder os dois braços a dizer que não te quer mais, certo? Como você não vai arrancar os braços dele (e mesmo que fosse, isso não ia adiantar), o melhor (e talvez único) jeito é testando. É melhor uma verdade dolorida do que uma mentira feliz. Você é daquelas que leva 40 minutos para arrancar um band-aid? Não é melhor arrancar de uma vez?
Dénouement
Em letra de forma: não quero ser a outra. Não quero viver a metade. Não quero não poder ter uma porcaria de uma escova de dentes na casa do cara. Quero passar o Ano Novo com ele. Quero viver um monte de coisas com ele. Mas não com os restos. I deserve better.
Quando e se ele estiver disponível, verdadeiramente disponível, e quiser me procurar, a história é outra. É uma nova história. Mas essa, por mais difícil que seja estar em casa quando podia estar nos braços dele, acabou.
Sendo bem pragmática, if it's meant to be, it's meant to be. If it's not, then it wasn't meant to be. Meu racional está em paz, embora o meu emocional esteja em frangalhos. Mas até aí, quem disse que cérebro tem utilidade para tudo?
Agora com licença que vou me encontrar com o meu travesseiro.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Conclusões
Por recomendação de uma colega de trabalho que ouviu a versão resumida da novela da minha vida pessoal recente, superei a vergonha de entrar na livraria, pedi ajuda para o vendedor (aleguei que era presente, é claro) porque a porcaria do livro não estava onde achei que estaria (não estava em "chick books", mas sim em "auto ajuda", o que é ainda mais degradante) e comprei o dito cujo por exorbitantes R$ 23,00.
Comecei a ler no ônibus, estou na página 12 e, pela primeira vez na vida, li o "note to the reader", o "foreword" e todas aquelas páginas que a gente sempre pula. Talvez na esperança de que eu caísse em mim e realmente embalasse o livro para presente, para dar para alguma desavisada no Natal ou em algum dos trezentos amigos secretos de que participo.
Enfim. À página 12, devo admitir que faz todo o sentido do mundo!
O livro seria até engraçado se eu não me identificasse tanto com as mulheres tontas que ele descreve. Acho que a minha estupidez cresce em progressão geométrica (e não aritmética) conforme os anos passam. Tanto que estou achando útil um livro que estava na seção de auto ajuda. Socorro. Daqui a pouco estarei lendo "Como fazer amigos e influenciar pessoas".
Fiquei com vontade de dizer ao vendedor que já li (e entendi) "Finnegan's Wake", do Joyce, mas, além de ser uma mentira descarada, pensei "quem é esse bosta aí para me julgar?"
Hein?
E concluo que tenho um monte de coisas para concluir ainda e que não sou bem-resolvida porcaria nenhuma.
Me aguentem.
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