
Que tudo é temporário, todos sabemos.
E a efemeridade da vida humana é palco frequentemente revisitado por filósofos, psicólogos e botequeiros de todas as partes do mundo.
Com exceção de Neil Gaiman e alguns contemporâneos, a imagem clássica da morte com a foice ainda é fortemente divulgada e é senso comum. E acho engraçado que a morte seja sempre sombria e tenebrosa.
Entendo o medo do sofrimento. Mas da morte, não.
Penso que pessoas que temem a morte são pessoas que também temem a vida. Acho que cada um faz a melhor escolha que pode com as ferramentas que possui em cada momento da vida. Às vezes fazemos escolhas erradas, é claro. Mas será que tínhamos as ferramentas certas para saber que seria uma escolha errada? E será que a escolha errada não foi, na realidade, uma escolha melhor? Explico: às vezes uma cagada enorme ensina muito mais do que vários acertos.
Quando olho para trás e penso em todas as maluquices que fiz em minha vida, penso que poderia morrer a qualquer momento. Isso não significa que quero morrer. Não. Ainda quero viver bastante. Mas, não me arrependo de nada do que fiz até hoje, pois até as cagadas foram aprendizado. E, pessoalmente, acho que estamos aqui para aprender.
Você coleciona aprendizados? Todos os dias, antes de dormir, me pergunto: "O que foi que aprendi hoje?". Às vezes aprendemos um vocábulo novo. Às vezes, um novo ponto-de-vista. Às vezes, cultura inútil. E se não houver nada, é porque não prestei atenção. As oportunidades estavam lá.
Não pretendo aqui discutir se há vida após a morte. Acho que isso é uma questão de fé. E fé não se debate. Fé é certeza, ainda que seja uma certeza pessoal.
O caminho que trilhamos ao longo da vida é feito de escolhas, às vezes nossas, às vezes não tão nossas assim. Mas o livre arbítrio está lá. Para tudo há solução, desde que se esteja disposto a lidar com as consequências.
Quem me conhece sabe que converso muito com as pessoas. Aprecio a troca de ideias. (Porque ficar sempre com as mesmas, além de chato, é perigoso. Engessa e nos torna burocráticos e pragmáticos.) E vejo que o discurso é sempre permeado pelas mesmas questões: trabalho, vida amorosa e dinheiro, não necessariamente nesta ordem.
Não que essas coisas não tenham importância. Afinal, estão no mundo. Mas a questão sempre cai na comparação. Comparar-se aos outros só leva a caminhos igualmente ruins: orgulho ou inveja. Não adianta se comparar ao chefe ou à Angelina Jolie. Os caminhos deles foram diferentes e os aprendizados deles também são diferentes.
Quando o nosso referencial deixa de ser o outro, a vida fica mais leve. É legal parar de vez em quando e ter um momento introspectivo. E o medo da morte me diz muita coisa. Quando eu tiver medo de morrer, é porque parei de viver.
O maior medo que alguém deveria ter não é o de morrer, mas o de sua memória se apagar e de ninguém contar sua história. Não fazer diferença para ninguém é algo muito mais medonho do que dez minutos de dor agonizante, acho eu.